terça-feira, 28 de abril de 2026

 

                           Itinerário de suas peregrinações                        

O Peregrino do Bem (Ipeg04)

“Sua Majestade me havia dito: Não desanime, continue. E eu continuei durante quatro meses na Corte e, nesse espaço de tempo, foi uma verdadeira luta e uma temeridade da minha parte: duas ou três vezes repelido com violência das mais importantes casas do Rio de Janeiro, onde então só falavam e moviam os corações a vaidade dos títulos e egoísmo da glória ou mesmo o prestígio. “Vanitas vanitatem et omnia vanitas!”[1]

“Ai de mim, Padre! – quando falava em caridade e nas desgraçadas filhas das precipitações e erros da época! Não, a caridade é incompatível com o espírito da época!

É uma utopia! Fui quase forçado a retirar-me da Corte. Concentrei-me por alguns dias. Entretanto, apesar de tudo, não deixava de ter alguns amigos sinceros, cujos corações me moviam e animavam sempre. Para mim, porém, tudo estava sombrio!

Resolvi deixar a Corte onde estava, direcionando meu trabalho pelo interior da Província. Este pensamento alegrou-me extraordinariamente.

Munido de carta que, espontaneamente, ofereceram-me esses amigos verdadeiros: o Exmo. Conselheiro João Augusto Moreira Guimarães, Manuel José Moreira Guimarães, Aluísio Montenegro, parti para a cidade de Campos dos Goytacazes, no vapor Juparanã, a 21 de Novembro de 1868, às 4 horas da tarde, desembarcando no dia seguinte, às 7 horas da noite.

A impressão que eu levava dos acontecimentos que se tinham dado comigo, fazia-me ouvir a cada momento as palavras seguintes: Pois deixastes a Corte, o depósito das riquezas e aonde deverá prestar seus serviços esse Estabelecimento, para vir ao interior?

Mau grado! Parecia que eu voltaria à noite, levando a mala às costas. Não aconteceu assim. Se no Rio de Janeiro a caridade parecia incompatível com o espírito da época, encontrei, no entanto, verdadeiros patriotas do Brasil, e eu sabia que acima de tudo, honra ou patriotismo, estava a caridade cristã, a comiseração para com as inocentes e pobres meninas, filhas dos bravos patrícios da época.

Chegando a Campos, dirigi-me à casa do Vigário colado daquela paróquia, Padre João Carlos, onde me hospedei. Fui auxiliado por este amigo João Carlos Viana.”


[1] . “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.’’ Ecl 1,1.

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Fonte:    Padre Siqueira

Escritos, crônicas e outros testemunhos 

Ir. Rossana Espindola da Silva, CFA

Ir. Neli do Santo Deus, CFA  


sexta-feira, 10 de abril de 2026

Live com Frei Vitório Mazzuco OFM

 



Estimadas irmãs,  queridos irmãos! 

Após celebrarmos a Abertura oficial do Processo de Beatificação e Canonização do Servo de Deus Padre Siqueira, somos convidados/as a refletirmos sobre a ideia de paz por ele construída. Mais do que nunca, a humanidade está ávida da paz oferecida pelo Cristo Ressuscitado. A inspiração do Padre Siqueira, no final do sec XIX, de uma humanidade pacificada ilumina os tempos atuais. 

Nos ajudará nessa reflexão o Frei Vitório Mazzuco, OFM, que bem conhece as fontes siqueiranas. 

A transmissão será pelo YouTube da Congregação.


 

Com grande alegria e profunda gratidão a Deus, celebramos hoje, 10 de abril de 2026, na Diocese de Petrópolis, a abertura do Processo de Canonização do Servo de Deus Padre Siqueira.
Este momento histórico é uma verdadeira graça para a Igreja, para a Diocese e nossa Congregação e, de modo especial, para todos aqueles que bebem da espiritualidade do Amparo. Reconhece-se, assim, uma vida marcada pela oração, pelo amor aos mais necessitados e pela fidelidade ao Evangelho.
Que este passo fortaleça nossa fé, reavive nossa esperança e nos inspire a seguir os caminhos de santidade, à luz do testemunho fecundo do Servo de Deus Padre Siqueira.
Este é um momento de renovação da esperança para todos os que são beneficiados por seu legado.

domingo, 5 de abril de 2026

 


1.5. Uma obra em benefício do futuro[1]

Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo, em Petrópolis

Sr. Redator – Com o título acima, saiu publicado no jornal de 24 do corrente, uma prestação de contas que faz o instituidor dessa mesma escola, o Rev.mo padre João Francisco de Siqueira Andrade.

Esse digno sacerdote deve estar extremamente lisonjeado com o benévolo acolhimento que tem encontrado em todas as pessoas, as quais tem recorrido para fundar aquela casa.

De fato, em um espaço de tempo relativamente curto, já tem ele reunido uma boa quantia com a qual tem dado grande impulso a sua obra.

Todos que tiverem visitado Petrópolis nesses últimos tempos, terão sem dúvida, notado o adiantamento daquele edifício e esperamos que, graças à energia e força de vontade do padre Siqueira, aquela obra, cujas consequências úteis são avaliadas por todos, deverá em breve, achar-se pronta para receber certo número de meninas pobres. É, principalmente, olhando para o futuro de nosso país, que podemos avaliar a grande importância do serviço que o padre Siqueira vai prestar ao Brasil.

Desse modo, pensam todos aqueles que, com tanta espontaneidade, têm coadjuvado o padre Siqueira na realização desse grande pensamento. Estamos certos de que, esse sacerdote trabalhador e infatigável, ainda continuará a ser ajudado pelos verdadeiros amigos do Brasil.

Publicando este artigo anexo, muito obrigará, Sr. Redator, ao seu constante leitor.

Ignácio Xavier Campos de Mesquita – 28 de setembro de 1870



[1] . BN, jornal Diário do Rio de Janeiro, Ed. 273, p.3.


Livro: Padre Siqueira - Escritos, crônicas e outros testemunhos


domingo, 7 de dezembro de 2025


                                           O Sacerdote

               Em agosto de 1857, aos 20 anos, bem dotado intelectualmente, com o consentimento de seus pais, João Francisco entra para o Seminário Diocesano, em São Paulo. O Seminário fora inaugurado em 9 de novembro de 1856, tendo a primeira turma 15 alunos. Dirigiam o Seminário os religiosos Capuchinhos franceses da Província de Savóia. Entre os alunos que compõem a segunda turma, em 1857, consta o nome do jovem João Francisco de Siqueira Andrade, o futuro Padre Siqueira.

 No tempo de Seminário fez convergir todas as suas forças e energias ao estudo persistente, o que enriqueceu a sua inteligência e os dotes recebidos de Deus.

   O espírito de fé que o animava era fonte a revigorar as suas energias.

              Concluído o tempo de sua formação no Seminário Episcopal de São Paulo, de agosto de 1857 a maio de 1864, João Francisco de Siqueira Andrade é encaminhado ao Seminário Episcopal de Porto Alegre com Cartas Demissórias² expedidas pelo bispo de São Paulo, Dom Sebastião Pinto do Rego, em seu favor, no dia 25 de outubro de 1864.

Conteúdo da Carta: ³

 “Aos Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores Patriarcas, Arcebispos e Bispos de todo o Orbe Católico aos quais cheguem as presentes letras, saudação sempiterna no Senhor.

              Dom Sebastião Pinto do Rego, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo Paulopolitano da Majestade Imperial e, pelos Conselhos, Comendador da Ordem de Cristo.

             Às vossas Excelências Reverendíssimas pedimos e rogamos que ao celebrarem as Ordens em geral ou peculiares, vos digneis promover à Primeira Tonsura Clerical e aos graus das Quatro Ordens Menores, bem como às Ordens dos sagrados Subdiaconado, Diaconado e  Presbiterado o nosso em Cristo dileto João Francisco de Siqueira Andrade, da Paróquia da Mãe de Deus da Conceição, vulgo – Cidade de Jacarehy – natural desta Diocese, filho legítimo de Miguel Nunes de Siqueira e de sua esposa Claudina Maria de Andrade, tendo sido julgado capaz quanto à sua Origem, Vida e Costumes e Patrimônio, depois que tiver sido examinado e aprovado em todas as Disciplinas Teológicas tratadas nos Vossos Seminários, e de ali ter apresentado  indubitáveis testemunhas de seu modo de viver e de vocação, feitos os exercícios de costume; ordenem também que lhe sejam dadas cartas referentes à sua promoção.

          Em testemunho do que foi dito, mandamos redigir esta carta assinada pela própria mão e munida pelo nosso selo.

          Dada nesta Cidade Imperial, no dia 25 do mês de outubro do ano de 1864. E eu Cônego Antônio Augusto de Araújo Muniz, Secretário da Cúria Episcopal, a redigi e a assinei.

                                  + Sebastião, Bispo de São Paulo.

-Lugar do selo -      Molina

Regª f/10 do livro 37

São Paulo, 25 de outubro de 1864 Molina.”

        João Francisco dirige-se então, para o Seminário Episcopal de Porto Alegre, na Província fronteiriça de São Pedro do Rio Grande do Sul, onde era Bispo D. Sebastião Dias Laranjeiras. Foi prontamente acolhido por esse Bispo e conforme documentos existentes em nossos arquivos, o jovem galgou os degraus da hierarquia segundo o costume do tempo:

 - Tonsura e ordens menores             26 de novembro de 1864

- Subdiaconato                                   27 de novembro de 1864

- Diaconato                                         04 de dezembro de 1864 

- Sacerdócio                                       08 de dezembro de 1864

              Estava em festa a Igreja naquele 08 de dezembro de 1864.

             O mundo celebrava o primeiro decênio da Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus. Sobre aquele filho predileto Maria Santíssima velava desde o berço, e quis ainda lhe dar essa prova de amor, escolhendo o seu belo e radioso dia para dar-lhe a maior graça que aqui na terra alguém pode receber.

 Fonte: Livro:

PADRE SIQUEIRA -  O Profeta da Caridade

Autora: Irmã Neli do Santo Deus, cfa

sábado, 30 de agosto de 2025

Setembro - Mês da Palavra

 



               Mês da Bíblia 2025 – “A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

O Mês da Bíblia 2025 nos convida a mergulhar na Carta de São Paulo aos Romanos, coração teológico da fé cristã, que proclama com firmeza: “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Este lema, em sintonia com o Ano Santo da Encarnação de Jesus Cristo e o tema “Peregrinos de esperança”, nos recorda que a esperança cristã não é um simples otimismo, mas uma força interior sustentada pelo amor fiel de Deus.

São Paulo escreve aos cristãos de Roma para animá-los em meio aos desafios e perseguições, lembrando-lhes que a vida nova em Cristo nasce da graça e não das obras da Lei: “Justificados pela fé, estamos em paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5,1). Essa paz e essa esperança não dependem das circunstâncias, mas da certeza de que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

O Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade viveu profundamente essa esperança. Nascido em Jacareí/SP em 1837, foi educado desde a infância na fé e no amor à Palavra. Ordenado sacerdote no dia 8 de dezembro de 1864, festa da Imaculada Conceição, encontrou na Eucaristia e na Sagrada Escritura o sustento para sua missão. Diante da miséria, da orfandade e da dor que presenciou, especialmente entre as viúvas e órfãs, não se deixou vencer pelo abatimento. Como São Paulo, que dizia “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16), Padre Siqueira sentiu-se impelido a agir:

“Não é possível conter os impulsos do meu coração! [...] Se eu puder salvar, com a graça do Senhor e a proteção da Augusta Virgem do Amparo, uma só infeliz do ameaçador naufrágio, já me será uma inexcedível consolação.”

Essas palavras revelam um coração que experimentou o que Paulo escreve: “Somos atribulados de toda maneira, mas não esmagados; postos em apuros, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados” (2Cor 4,8-9).

O Carisma Franciscano do Amparo, herdeiro espiritual de Padre Siqueira, nos chama a encarnar a esperança em gestos concretos de cuidado da vida. A Palavra de Deus, quando acolhida, transforma a nossa forma de olhar o mundo:

  • Ensina-nos a “alegrar-nos na esperança, ser pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rm 12,12);
  • Convida-nos a “carregar os fardos uns dos outros” (Gl 6,2), como expressão de verdadeira fraternidade;
  • Recorda-nos que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17).

Neste Jubileu da Esperança, somos chamados a ser peregrinos que caminham com a Bíblia na mão e o coração ardente, como os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). É a Palavra que reaquece nossa esperança e abre nossos olhos para reconhecer o Cristo vivo no partir do pão e no irmão que sofre.

Olhando para a vida e missão de Padre Siqueira, percebemos que a esperança cristã não se limita a esperar o futuro, mas age no presente, movida pela certeza de que “nem a morte, nem a vida, nem o presente, nem o futuro, nem qualquer criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus” (Rm 8,38-39).

Que este Mês da Bíblia nos inspire a acolher a Palavra com o coração aberto, a viver como portadores de esperança e a traduzir o Evangelho em gestos de ternura, proximidade e compromisso com a vida. Assim como Padre Siqueira fez, possamos nós também, movidos pela graça, dizer:
“Fala, Senhor, teu servo escuta” (1Sm 3,9) — e se põe a caminho para servir.


                              Itinerário de suas peregrinações                          O Peregrino do Bem (Ipeg04) “Sua Majestade me havi...