3. São José do Paraíba, Minas, São Paulo e Rio de Janeiro (Ipeg03)
“No fim de um ano naquela Paróquia, em cujo tempo ia faltar
aos meus deveres paroquiais de um modo variável, estudei o estado das coisas e
as circunstâncias da época tão crítica, para ver se podia melhorar pouco a
pouco. Conheci que era impossível já, porque a caridade era completamente
esquecida e abafada pela vaidade da época e a ambição de glória. E que, por
conseguinte, o brado de caridade partido do coração de um humilde e obscuro
sacerdote, em tal ocasião, não penetraria em um só coração, já porque o pregoeiro
descorado de novas ordens se tinha feito retumbar em todo o Império.
Surpreendidas as populações, não podiam deixar de olhar para um sacerdote que
silenciosamente se apresentava a esmolar para um tal fim...”
“Deixei minha Paróquia, uma igreja em obras, pobre,
entreguei a um bom sacerdote, Padre Godoy, que a instância minha vem
substituir-me”.
“Ao deixar a paróquia com o bom Padre Godoy... Parti para
Minas em companhia do desembargador João Monteiro de Barros e sua Ex.ma Família, em 25 de
Junho de 1867. Juntos, permanecemos aí três meses, nas águas medicinais, nas
proximidades do Baipendi. Durante esse tempo, que eu já com a minha voz rouca
devido à minha doença, não existindo ali altar erigi um, onde dizia missa e
fazia minhas práticas aos domingos”.
“Daí (de Baipendi), seguimos para o Rio de Janeiro.
Chegando à Corte, descansei dois meses, sem dar passo algum porque as
dificuldades que surgiam diante de mim eram tantas que se me afigurava
impossível a minha ação em semelhante época. Quis tomar um emprego com o fim de
esperar mais algum tempo, porém, consultei algumas pessoas e o meu próprio
coração e tirei como resultado dar começo à obra sem atender mais à dificuldade
alguma”.
“Apresentei-me a Sua Majestade Imperial e em poucas
palavras lhe fiz sentir e conhecer o meu pensamento.
Novas e desanimadoras lutas.
Sua Majestade não apreciava educação para meninas. Vacilei
por algum tempo sem saber se voltar ou ir adiante.
Entretanto, escrevia meu programa, consultava, examinava
etc. Passados quase três meses, apresentei-o a Sua Majestade (15-7-1868),
deixando-o em suas mãos por espaço de dois meses, findos os quais, deferia Sua
Majestade, respondendo-me que a ideia era boa e humanitária, porém dificílima,
mas que eu desse começo à obra.
Fiz imprimir o referido programa e distribuí e dei começo
aos meus trabalhos.
Depois de quatro meses de luta, angariei algumas
assinaturas, que já muito me animavam. Fui seguindo como me haviam ordenado.
Apreciou Sua Majestade os nomes que já ornavam meu livro, porém, apresentou-me
tais considerações tão opostas e absurdas às minhas esperanças, que estive
quase resolvido a tudo deixar e seguir para a Europa, com o fim de recolher-me
em um dos mosteiros dos Trapistas[1]
e não dar mais notícias minhas.”[2]
[1] . Os trapistas são monges
beneditinos cenobitas, isto é, vivem em comunidade. O monge busca afastar-se do
mundo; as comunidades trapistas são, via de regra, localizadas fora das
cidades.
[2] . Memorial de Viagens, Sala Histórica – PS-1 – A.01.16.





