sexta-feira, 9 de maio de 2025

 

Padre Siqueira e sua confiança em Nossa Senhora do Amparo

O Servo de Deus Padre Siqueira viveu intensamente uma profunda espiritualidade mariana. A Virgem Santíssima ocupava um lugar central em sua vida de fé, sendo sua inspiração constante nas decisões, nas obras e nos caminhos da missão. Sua devoção à Mãe de Deus era sincera, fervorosa e eficaz, sustentada por uma fé inabalável e uma confiança filial.

Maria esteve presente em todas as suas aspirações, análises e escolhas. Ele a reconhecia como modelo de todas as virtudes: amor, fé, desprendimento, humildade, fidelidade, doação, alegria, caridade, sinceridade e justiça. A atitude do "Sim" de Maria foi para ele a base de sua entrega a Deus e à missão educativa que abraçou com tanto zelo.

Desde que decidiu dedicar sua vida à educação da infância desvalida, idealizou sua obra sob a inspiração das atitudes de Maria. Escolheu, então, dar-lhe o nome da Virgem que ampara, acolhe e protege: Nossa Senhora do Amparo. Via nessa invocação a imagem perfeita da Mãe que sustenta os fracos, refugia os oprimidos e segura os desvalidos com ternura e firmeza. “É esta a Mãe e Mestra que deve servir de modelo às educadoras”, afirmava com convicção e ternura.

Padre Siqueira encontrou na figura de Maria um dos alicerces de sua missão. Viu nela a mulher forte e silenciosa, que, ao acolher o chamado de Deus, tornou-se sinal de amor e fidelidade para todos os tempos. Ele viveu essa confiança em Maria como quem caminha com segurança mesmo em meio às incertezas, certo de que sua obra estava sob a proteção da Mãe do Senhor.

A espiritualidade mariana do Padre Siqueira não era apenas teórica, mas vivida no cotidiano com simplicidade e coragem. Inspirado por Maria, ele compreendia que o amor não dorme, não descansa, não mede esforços. Esse amor aproxima, une e transforma. Em Maria, encontrou a fonte de sua perseverança, a luz de seu discernimento e a força para sua entrega total.

Assim, guiado pela presença silenciosa e firme da Mãe de Deus, o Padre Siqueira construiu sua vida como um verdadeiro filho de Maria, amando, educando e servindo com o coração configurado ao dela – Mãe, Educadora, Amparo e Modelo.

Nossa Senhora do Amparo, rogai por nós!



quinta-feira, 10 de abril de 2025

 

Texto sobre a passagem da morte do Servo de Deus Padre Siqueira 

Missa de 7º dia 

            A poucas cenas tão comovedoras e de tamanho alcance, temos nós assistido como a que teve lugar na Igreja Matriz desta cidade, no dia de ante ontem.

            Uma multidão composta de todas as classes sociais, desde a alta camada a opulência até a baixa esfera da pobreza, ali se achava reunida para com a suas lágrimas orvalhar a flor – saudade – deposta sobre o túmulo de um home virtuoso.

            De boca em boca corria um nome e, sempre uma palavra de louvor o acompanhava e, sempre um soluço de mágoa o vinha entrecortar.

            Não se tratava de um morto vulgar. O nome que se proferia não era o de um legendário ferido em pugnas pelas causas do orgulho, não era o de um aureolado pelas glórias dos talentos, era mais que isso – era o nome do Padre João Francisco de Siqueira Andrade.

            Deixar que a pedra do sepulcro abafe o cadáver voltado a sua essência, é natural, é mesmo indispensável, mas fazer que um nome que se imortalizou, seja riscado de um instante a outro desde livro primoroso que se chama – o coração – possível jamais fora.

            O homem que faleceu a 10 do corrente, em São José dos Campos, província de São Paulo, usava de um nome que nenhum outro poderá diminuir-lhe o valor, obscurecer-lhe o brilho.

            Ele foi o apóstolo da santa causa da caridade. Humilde, daquele humilde pregado pelo Cristo homem, esforçado, infatigável, lógico e convincente evangelizador dos princípios da moralidade. Ergueu um edifício que perpetuará sua memória, sem que nunca de seus lábios tombasse uma palavra que traduzisse o orgulho, nem um de suas ações desmentisse a pureza de sua alma e a grandeza de suas intenções.

            Em sua curta travessia neste oceano sempre mais ou menos encapelado pelas tormentas da calúnia e da inveja, ele, hábil timoneiro, soube guiar-se com tanta atilação e tanto zelo que, como debelando os elementos, conseguia serenar as tempestades.

            Guiava-o uma ideia sublime, via, não longe dos seus olhos, estender-se um painel esplendoroso: - tiradas das trevas da ignorância, arrancadas das furnas da miséria, voltadas ao trabalho honesto e à fadiga que enobrece, um cem número de mulheres com a palavra unida ao exemplo entoavam hosanas ao Deu que as criara a ao homem que as educara.

            Esse quadro provocava-lhe o júbilo, essa mulheres douravam-lhe os sonhos de suas vigílias, o despontar desse dia parecia sorri-lhe e o homem adoentado, sentindo em si os sintomas do aniquilamento, conhecendo a cada passo, que tropeçava à borda de seu túmulo, queria viver, ambicionava as horas, os minutos, os segundos para todos aproveitá-los na sustentação dessa cruzada.

            Desde os seus princípios, o Padre Siqueira foi sempre o homem sisudo, sacerdote modelo: vigário desse lugar em que foi exalar o derradeiro suspiro, soube ali merecer as simpatias que ao sepulcro o acompanharão. Rebentando a guerra por nós sustentada no período de 1864 a 1870, marchou para os campos da luta a levar os consolos da religião aos mártires do dever. Voltando daí, já presa do mal que o exterminou, aqui veio residir, ou – por outra – aqui veio dar o derradeiro testemunho do quanto pode a tenacidade do homem forte em favor das causas nobres.

            Compreendia o homem os deveres da sua missão, sabia que a verdadeira utilidade da vida consiste na aplicação que dela se faz ao bem estar geral e que, mal aventurado é aquele que, simplesmente a si é útil.

            Uma vez entre nós, deu-se pressa em executar o plano que concebera em terra estranha e assistindo a lutas fratricidas, pois se tratava de manterem-se irmãos por questões que, com palavras podendo ser resolvidas, pelo orgulho de uns e precipitação de outros, estavam sendo debatidas pelas armas e decididas pela morte.

            O plano consistia na criação desse estabelecimento que vemos – incompleto na sua construção, mas de há muito, profícuo em seus resultados – ostentar-se à Rua de Bragança, esse templo de que tantas vezes nos tempos ocupado e que, de envolta com o respeito que merecem as instituições úteis, reclama os mais sinceros louvores para o seu pio fundador.

            Empreendeu o Padre Siqueira uma tarefa além das forças de um homem, desde que o não fortalecesse a mais viva crença nos sentimentos humanitários de seus semelhantes e um segundo de repouso jamais teve, porque no tempo decorrido de 1869, época em que lançou as bases para o edifício, até ao dia em que se efetuou a transformação de seu ser, as dificuldades vencidas eram núncias dos obstáculos a vencer.

Mas sempre forte, mas sempre esperançoso, não abandonava o bordão do peregrino e a coragem encurtando as distancias e esperança revigorando-lhe as forças, ele, na romagem interminável, falava aos corações benfazejos e, talvez não poucas vezes, se sentisse com o poder de Moisés conhecendo-se capaz de fazer rebentarem de corações empedernidos correntes de benefícios.

            Foi assim que ele conseguiu elevar à altura e que se acha a Escola doméstica de Nossa Senhora do Amparo, hoje, o monumento que atestará o quanto fez em benefício da humanidade, durante a sua passagem pela terra, esse que pranteamos com o mais profundo e respeitoso sentimento.

            Tal foi os eu cuidado em bem desempenhar o encargo que se tomara, que ao conhecer a aproximação de um fim – que tão breve não devera vir – tratou de delegar o prosseguimento da piedosa comissão a outro homem de tantos préstimos e valia qual ele o fora, e que, de certo, levará ao termo a santa obra.

            Mesmo ao partir do seio de suas bem amadas filhas, Padre Siqueira dava-lhes a prova de que não quisera que elas sem um pai ficassem.

            Alma generosa, fundida nos moldes da mais viva caridade e, inteira, devotada à abnegação a ao desapego, não pudera, ao separa-se de entre nós, deixar em meio, aquilo que tão bem começara, o seu sucessor, segundo nos consta, levará avante a empresa e o edifício será concluído para eterna ser a recordação viva do finado fundador.

            A Igreja sufragou a alma do Padre Siqueira Andrade na manhã de ante ontem, hoje, rendemos-lhe preitos de acordo com as nossas forças e a sociedade não cessará nunca de bendizer o seu nome enquanto houver olhos que possam ver a Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo e ouvidos houver que possam o seu nome ouvir.

            Vimos àquelas afortunadas criaturas, felicitadas pelo morto que pranteiam, deixar que em suas faces rolasse as lágrimas do reconhecimento, quais imagens de amargura abraçadas a uma memória imorredoura e um pesar estranho, uma mágoa intraduzível nos confrangeu o coração.

            Lembrávamos de que, se o Padre Siqueira ali estivesse as abraçaria murmurando:

– “Benditos aqueles que praticam o bem, porque a gratidão é um presente do céu!”

Fonte:

BN, Mercantil,1881, Ed.29, Ano XXV, p.1.

Livro: Padre Siqueira - Escritos, crônicas e outros testemunhos (pág. 364-368)


sábado, 7 de dezembro de 2024

160 anos de Ordenação Sacerdotal do Servo de Deus Padre Siqueira – (1864-2024)

 


Solenidade da Imaculada Conceição: 160 anos de Ordenação Sacerdotal do Servo de Deus Padre Siqueira – (1864-2024)

As redes dos pescadores simples do Vale do Paraíba, jogadas nas águas do rio trouxeram à tona, primeiro a cabeça, depois o corpo, da Imaculada Conceição. Estamos falando de um Vale de Fé. Um vale que sempre criou expressões para dizer que a Imaculada tem seu espaço, seu lugar e seu trono. Esse é o grande milagre de Aparecida: trazer de novo, para bem perto do povo, a sua maior riqueza: a sua Mãe!

Não existe expressão de fé sem Mãe! Deus é Pai e Mãe! Somente uma experiência como essa atravessa a história de um povo e cria no Vale do Paraíba um povo forte na fé e na consciência... Somente desta tradição e deste lugar poderia nascer um homem como o Padre João Francisco de Siqueira Andrade e uma mulher como Irmã Francisca Pia. Os dois cresceram e amadureceram na fé e no ambiente da Imaculada Conceição – pois ela é a padroeira da cidade de Jacareí/SP. Ser ordenado nesta solenidade não é mera coincidência e sim um vínculo afetivo e de fé para com a Mãe de Deus.

A Imaculada da Conceição, a Imaculada Maria do Povo, a Imaculada do Amparo, significa este jeito com que Deus nos toca e se aproxima. Em Maria nós buscamos o carinho de Deus, este ideal de intimidade e harmonia com o Deus da Vida. Em Maria nós voltamos à pureza do humano. Na Imaculada nós voltamos à manhã original da Criação. 

Lembremo-nos as palavras do Servo de Deus Padre Siqueira: “formar a mulher de modo a tornar-se uma digna mãe de família e implantando em seu coração os princípios religiosos de uma moral sã. Porquanto, a mulher é tudo no mundo. Direi que o homem será em todos os tempos o que a sua mãe quiser que ele seja, viverá e tornará obra os preceitos supostos por ela” (Cf, OSE, 46). Percebamos a lógica do amor  de Deus: no vale da fé, a imagem da Imaculada sai do lodo da injustiça, recebe o manto do valor das qualidades da fé de seu povo, que recupera e visualiza aquilo que crê, coloca novamente no altar e vai lá para ser igualzinho a sua Mãe. No altar de hoje, milhares de pessoas vão à Aparecida, para refazer este humano destruído, despedaçado, desesperançado, que precisa de cuidado e da existência concreta de um Deus que se faz Mãe.

Também deste Vale da Fé saíram Pe. Siqueira e Ir. Francisca Pia; subiram as montanhas de Petrópolis e jogaram as redes nas ruas da cidade imperial, às margens do Piabanha, para trazer novamente para a vida, as ingênuas, as desvalidas, aquelas meninas filhas dos grandes senhores, dos nobres, daqueles que tinham posição e status no Império, que faziam filhos e filhas com as escravas para depois abandoná-los à própria sorte. Quando vem a Lei do Ventre Livre, ignoraram esses filhos considerados bastardos, rejeitaram, abandonaram para que a nova Lei e a nova sociedade não percebessem que a nobre família tinha uma mancha de ter uma filha com escrava... E aquelas meninas abandonadas, deixadas ao léu, deixadas nas ruas de Petrópolis são recolhidas por quem? Por um filho do Vale da Fé, por um filho da Imaculada: O Padre Siqueira.  

Maria, a eternamente pura e imaculada, a simples, a transparente, a mulher verdadeira, esposa e mãe, reveladora da verdade sabe que amar intensamente é não dar espaço para o mal, para o erro, para a injustiça e para o pecado. Mãe, abençoe e proteja a obra iniciada por Padre Siqueira. No dia em que celebramos a beleza deste dogma de fé: mistério que se encarna e se diviniza revelando assim a fecundidade de Deus, peçamos a Mãe Imaculada que germine esta obra do Amparo; que faça brotar da fecundidade escondida da semente, o sonho do Pe. Siqueira: conduzir pelos caminhos do Amor!

Trecho da Homilia do Frei Vitório Mazzuco, OFM, proferido na Matriz da Imaculada Conceição – Jacareí/SP, em 8 de dezembro de 2004.

Adaptação: Ir. Maria Aparecida Santana de Souza, CFA

Fonte: Revista do Centenário da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo


segunda-feira, 15 de julho de 2024

 

                                         Celebramos 187 anos do nascimento do Padre Siqueira





Todo de Deus em favor dos Homens

             O Padre Siqueira é um homem agraciado por Deus.

            Bem cedo compreendeu o significado profundo das palavras de Jesus: “aquele que permanece em Mim e Eu nele, produz muito fruto” (Jo 15,5)

            Aplica-se, seriamente, ao cultivo da vida de oração e de íntima união com Deus, adquirindo aí uma extraordinária força moral.

            Seu equilíbrio, seu discernimento, sua sabedoria, seu critério em analisar as coisas, já aos 28 anos, assemelham-se com o senso e o amadurecimento de um homem vivido e experimentado.

            É que os dias passados junto ao Senhor plenificam as pessoas, levando-as a um aperfeiçoamento prematuro.

Daí o dizer do apóstolo: “um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2Pd 3,8).

            Conta-nos o livro do êxodo (34,29) que, ao descer do Monte Sinai, onde esteve em companhia do Senhor durante longo tempo, Moisés se apresenta ao povo transparecendo no rosto marcas do Deus Santíssimo, a ponto de o povo “temer” ficar em sua presença.

            Assim aconteceu com o Padre Siqueira, podendo aplicar-lhe o que foi dito de São Francisco, quando se encontrava com Deus. “Não era um homem em oração, mas a oração feita homem”.

            Mergulhando na oração e na busca do seu Senhor, experimenta o quanto é suave gozar da intimidade de Deus e quão preciosos são os momentos passados em sua companhia.

            E marcas indeléveis do divino transparecem em seu semblante e em sua personalidade.

            Aqui aprende o verdadeiro sentido da caridade de Deus e baseado no que diz São João na sua primeira carta (4,20) compreende que o amor a Deus só é verdadeiro quando concretizado em obras para os irmãos.

            Todo outro amor é mentiroso.

            É assim que procura traduzir em obras este seu amor que vai se tornando mais eficaz na medida de sua busca de Deus pela oração.

            Eficaz sim, porque percebe precisamente em que os homens mais necessitam de sua ajuda e realiza exatamente o que corresponde a tais necessidades.

            Para melhor avaliarmos qual o quilate do seu sentir com os homens, vejamos como ele se expressa ao dirigir-se ao público em 1877, quando escreve seu APELO AO PAÍS: “Ninguém mais pode ignorar que dentre as mais urgentes necessidades do Brasil ... é por certo a da substituição no lar doméstico do serviço livre bem como a do professorado particular... “

            E mais adiante: “eu já tinha compreendido finalmente que amparar meninas pobres, sobretudo órfãs expostas aos perigos da miséria e a mil desgraças, prepara-las para boas mães de família, seria a maior caridade diante de Deus e para o país a maior benefício”.

            Isto porque, diz ele, “analisando meu país com espírito observador e imparcial... não tenho encontrado ... na classe pobre ... senão indiferença completa pelo trabalho, nenhuma religião e vícios horríveis” (Apelo ao País).

            Muitas outras coisas poderiam ainda ser citadas aqui sobre o Padre Siqueira.

            Sobre o seu senso de realidade, sua visão esclarecida, sua solidariedade nos problemas dos homens seus irmãos, que, no entanto, não o fazemos porque algumas delas já estão contidas nos diversos outros capítulos. E outras, e em grande número, é forçoso omitir, para não se alongar demais o presente fascículo.

            Mas ... de onde tamanha sabedoria e clareza de ideias?!

            Da oração e doa convívio com Deus, certo.

Pois em diversas passagens dos seus escritos podemos ver sua preocupação em recolher-se a lugares apropriados, a fim de, após suas lutas e atividades, passar dias ou semanas em retiro e em oração, a fim de recomeçar seus trabalhos com mais vigor e recolhimento. São palavras suas, quase textuais:

            E, “pelos frutos se conhece a árvore” (Mt 12,33).

            Pelo bom senso, equilíbrio e dinamismo deste homem, é óbvio admitir ter sido ele um homem de intensa vida de oração.

            Foi portanto TODO DE DEUS, mas EM FAVOR DOS HOMENS.

            Quanto mais se entregou a Deus, melhor compreendeu os interesses dos homens para mais generosamente os servir.

            Desta maneira é que vemos a curta existência o Padre Siqueira – este homem TODO DE DEUS EM FAVOR DOS HOMENS – transformada em trajetória luminosa, pela atividade que desenvolveu idealizada à luz da oração que, à medida que penetra no coração do homem, nele alarga a capacidade de ver e de sentir com os demais homens seus irmãos.

 

Fonte:

Padre Siqueira - Vocação e Compromisso de Profeta

Irmã Jacinta Medeiros Gurgel-cfa

 

 


quarta-feira, 1 de maio de 2024

 

Sua Mãe e Mestra
A Virgem Maria

 

            Como nasceu no dia dedicado à Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho – o Padre Siqueira cultivou sempre a devoção eficacíssima à Virgem Santíssima.

            Maria ocupou em sua vida um lugar de destaque. Ela esteve sempre presente em todas as suas aspirações, análises e decisões.

            Desde que resolveu dedicar-se à educação da infância desvalida, tudo idealizou sob s inspiração das atitudes de Maria.

            Por isso escolheu para intitular sua instituição uma das mais belas imagens da Virgem Santa: a Senhora que protege, que refugia, que sustenta, que apoia, que segura, que ampara os pequenos e fracos.

            É esta a MÃE E MESTRA que deve servir de modelo às educadoras por ele projetadas.

            Nossa Senhora do Amparo, eis a denominação dada pelo Padre Siqueira à figura de Maria que deve guiar a sua Escola e a possível Congregação a se criar futuramente na mesma Escola.

            Nossa Senhora do Amparo é a Virgem puríssima que, consagrando-se ao seu Senhor, não teme dar um SIM ao mensageiro do Céu, mesmo sabendo ser logicamente impossível tornar-se Mãe, permanecendo Virgem Consagrada ao mesmo tempo.

            Padre Siqueira faz deste aspecto da vida de Maria a sua espiritualidade e a vive intensamente,

            Na escola de Maria, aprende ele que amar é esquecer-se de si, é dar sem exigir, é dedicar-se, é doar-se, é servir.

            Compreende que o amor não dorme, não descansa, não estabelece diferenças nem distâncias. Mas cria afinidades, aproxima, une e irmana.

            Descobre que este amor desinteressado e ablativo é a força misteriosa e poderosíssima capaz de operar milagres. Porque tem o poder de despertar nas pessoas a semente maravilhosa do bem que nelas dorme, conduzindo-as pelos caminhos da humildade, da verdade, da justiça, da fraternidade e da doação.

            Para obter êxito na educação, a Mestra, qual Mãe, necessita deste amor quase divino, para conseguir que o humano cresça sadiamente e produza frutos de equilíbrio, harmonia e realização nas pessoas.

            O Padre Siqueira nos aponta Maria Santíssima como o ideal da Mãe e Mestra no amar, no servir e no educar.

            Para nós, família do Padre Siqueira, Nossa Senhora do Amparo é a Virgem da Encarnação que, dado o SIM a Deus na Anunciação do Anjo, logo concebe o Verbo de Deus em seu ventre, tornando-se milagrosamente gestante do Filho de Deus.

            É a Virgem da Visitação que, na consciência da altíssima dignidade de Mãe de Deus, sente-se a mais humilde serva do Senhor e procura concretizar esta condição de serva, atendendo com solicitude às necessidades de quem dela precisa.

            É com estes sentimentos que, impelida pelo amor, dirige-se ela à casa de sua prima Isabel que na velhice concebera um filho – João Batista – e lá permanece por três meses, até nascer a criança, fazendo aí todo o serviço da casa, com grande amor e alegria.

            É assim que concebemos Nossa Senhora do Amparo, a inspiradora da obra e do Carisma do Padre Siqueira. Vemo-la como o nosso modelo na humildade, na simplicidade, na presença de amor e no espírito de serviço.

            Amparo não é um título apenas, mas um Carisma ou tarefa confiada por Deus ao Padre Siqueira e que ele deixou para a Congregação. É este amor de Nossa Senhora a que ele chama de Amparo.

            O amor que encerra todas as virtudes, trazidas em gestos de bondade, de serviço, de presença silenciosa mas atuante e dinâmica.

É o amor concreto, atual, oportuno e dentro da realidade, firme ‘ponto se apoio’ que tem poder de transformar a nossa impotente ação em poderosa ‘alavanca’ capaz de mover o mundo dos corações.

 

Fonte:

Padre Siqueira - Vocação e Compromisso de Profeta

Irmã Jacinta Medeiros Gurgel-cfa

 

 

 


sábado, 6 de abril de 2024

Padre Siqueira - Homem de Fé, firme como rocha

 



Homem de fé, firme como a rocha

 

         O Reino anunciado por Cristo é um Reino exigente.

“Ou Deu ou as riquezas”. “Não se pode servir a dois senhores; ou se dedicará a um em prejuízo do outro” ou vice-versa (cf. Lc 16,13)

         “Quem não é por mim, é contra mim.” (Mt 12.30).

         Cristo é categórico nas suas afirmativas. Não deixa engano!

         Em outra ocasião diz: “não é o que diz Senhor, Senhor... mas o que realiza a minha vontade, este é o que se salvará” (Mt 7,21).

         E, ainda, “todo aquele que ouve as minhas palavras e as observa será semelhante ao homem sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, e transbordaram os rios, e sopraram os ventos, e investiram contra aquela casa e ela não caiu porque estava fundada sobre a rocha” (Mt 7, 24-25).

         O Padre Siqueira, compreendendo estas coisas, jamais deixou-se levar por doutrinas alheias àquelas ditadas por Cristo.

         Mas, juntando todos estes elementos, senta-se como o “homem sábio” do Evangelho e na meditação vai considerando tais coisas e aplicando-se à sua vida, calculando e medindo suas possibilidades, decide-se a enfrentar qualquer dificuldade, a fim de realizar o que sente ser plano de Deus e seu respeito.

         A palavra do apóstolo São Tiago em sua carta calara profundamente em sua alma: “Se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que lhe aproveitará isso? Se um irmãos ou irmã não tiverem o que vestir e lhes faltar o necessário para a subsistência de cada dia e alguém dentre vós lhes disser: ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos, e não lhes der o necessário para a sua manutenção, que proveito haverá isso?

         Assim também a fé, se não tiver obras, será morta em seu isolamento” (Tg 2, 14-17).

         Assim é que ao presenciar alguns fatos resultantes da guerra do Paraguai ele escreve: “Meu Deus! Quantos infortúnios eu presenciei! Quantos insultos àquelas pobres viúvas!... Não! Disse eu, não é possível conter os impulsos do meu coração! Não há para mim maior sacrifício!”

         E decide-se a fundar uma Casa de Educação, a Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo, destinada a meninas pobres e órfãs onde pudessem encontrar, além do lar que a miséria lhes roubou, também toda uma educação para o trabalho e para a vida.

         É então que, em junho de 1867, deixando com um outro Padre a Paróquia de São José da Paraíba, Estado de São Paulo, onde trabalhou durante um ano, parte para Minas em companhia de uma família amiga. Permanece aí três meses nas águas medicinais, nas proximidades de Baependi, cuidando um pouco da saúde abalada.   (....)

         Sua fé já se mostrava uma das características mais acentuadas de sua personalidade.

         De Baependi, segue ele para o Rio de Janeiro, onde passa dois meses, “sem dar passo algum”, conforme ele mesmo escreve, “porque as dificuldades que surgiam eram tantas que parecia impossível agir em semelhante época”.

         Continua ele: “quis tomar um emprego com o fim de esperar mais algum tempo, porém consultei algumas pessoas e o meu próprio coração e tirei como resultado dar começo à obra sem atender mais a dificuldade alguma”.

         É daí que vai ao imperador D. Pedro II de quem recebe uma recusa.

         Ora, este consentimento do Imperador era essencial para a criação da sua Escola, sem o que nada podia ser feito.

         Padre Siqueira não sabe o que fazer, Recusar? Ir adiante?

         Mas, tomando como escudo a palavra de Cristo, “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5), para e recolhe-se no seu interior.

         A sua firmeza vem do Senhor!

         Reza, sofre, reflete!

         E decide a continuar.

         Lê-se em seu diário: “entretanto, escrevia meu programa, consultava, examinava, etc. Passados quase três meses apresentei-o a Sua Majestade (em 15-07-1868), deixando-o em suas mãos por espaço de dois meses, findos os quais, deferia Sua Majestade, respondendo-me que a ideia era boa e humanitária, porém dificílima, mas que eu desse começo”.

         E desta maneira o homem de Deus, o Profeta do Senhor, vai prosseguindo na sua firme ideia, construindo-se a si mesmo, alicerçando cada dia sua fé em Cristo, seu rochedo e sua segurança.

         Assemelhando-se a João Batista, o Padre Siqueira não é “caniço agitado pelo vento” (Mt 11,7).

         Mas em Cristo é aquele homem corajoso, destemido, seguro do que pretende, não se desviando da rota que leva ao porto desejado.

         Não vacila um momento sequer. Cedo aprendeu a assumir a vida como um dom de Deus, vendo tudo como um presente amoroso deste Deus que é bom Pai, chegando ao ponto de poder afirmar, meses antes da morte, no seu Testamento: “se algumas privações e contrariedades sofri, as recebi sempre como benefícios do céu.”

 

Fonte:

Padre Siqueira - Vocação e Compromisso de Profeta

Irmã Jacinta Medeiros Gurgel-cfa

 








quinta-feira, 4 de abril de 2024






Padre Siqueira, sacerdote que vivia a gratidão

    A gratidão envolve um sentimento de reciprocidade em direção de outra pessoa; frequentemente acompanhado por um desejo de agradecê-la por um favor que lhe fez. Num contexto religioso, gratidão também pode referir-se a um sentimento de expressão de gratidão a Deus, que é um tema central do cristianismo. Padre Siqueira era muito grato a todos, em tudo que ele fazia deixava claro isto, através de seus escritos percebemos o quanto seu coração exalava o perfume da gratidão. Peçamos sua intercessão para que nós também sejamos gratos. 

  Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade Dados Biográficos O Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade nasceu e...