Itinerário de suas peregrinações
O Peregrino do Bem (Ipeg04)
“Sua Majestade me havia dito: Não desanime, continue. E eu
continuei durante quatro meses na Corte e, nesse espaço de tempo, foi uma
verdadeira luta e uma temeridade da minha parte: duas ou três vezes repelido
com violência das mais importantes casas do Rio de Janeiro, onde então só
falavam e moviam os corações a vaidade dos títulos e egoísmo da glória ou mesmo
o prestígio. “Vanitas vanitatem et omnia vanitas!”[1]
“Ai de mim, Padre! – quando falava em caridade e nas
desgraçadas filhas das precipitações e erros da época! Não, a caridade é
incompatível com o espírito da época!
É uma utopia! Fui quase forçado a retirar-me da Corte.
Concentrei-me por alguns dias. Entretanto, apesar de tudo, não deixava de ter
alguns amigos sinceros, cujos corações me moviam e animavam sempre. Para mim,
porém, tudo estava sombrio!
Resolvi deixar a Corte onde estava, direcionando meu
trabalho pelo interior da Província. Este pensamento alegrou-me
extraordinariamente.
Munido de carta que, espontaneamente, ofereceram-me esses
amigos verdadeiros: o Exmo. Conselheiro João Augusto Moreira Guimarães, Manuel
José Moreira Guimarães, Aluísio Montenegro, parti para a cidade de Campos dos
Goytacazes, no vapor Juparanã, a 21 de Novembro de 1868, às 4 horas da tarde,
desembarcando no dia seguinte, às 7 horas da noite.
A impressão que eu levava dos acontecimentos que se tinham
dado comigo, fazia-me ouvir a cada momento as palavras seguintes: Pois
deixastes a Corte, o depósito das riquezas e aonde deverá prestar seus serviços
esse Estabelecimento, para vir ao interior?
Mau grado! Parecia que eu voltaria à noite, levando a mala
às costas. Não aconteceu assim. Se no Rio de Janeiro a caridade parecia
incompatível com o espírito da época, encontrei, no entanto, verdadeiros
patriotas do Brasil, e eu sabia que acima de tudo, honra ou patriotismo, estava
a caridade cristã, a comiseração para com as inocentes e pobres meninas, filhas
dos bravos patrícios da época.
Chegando a Campos, dirigi-me à casa do Vigário colado daquela paróquia, Padre João Carlos, onde me hospedei. Fui auxiliado por este amigo João Carlos Viana.”
[1]
. “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.’’ Ecl 1,1.
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