sábado, 20 de junho de 2026

 

                           Itinerário de suas peregrinações                       

2. Em Montevidéo, no Paraguai, tristes realidades (Ipeg02)

    “Depois de minha volta ao Brasil, vindo de Montevidéu, em 8 de Março, e chegando em 19 do mesmo, no famoso vapor São Francisco, que depois queimou-se, fato que determinou providências em que o governo deu prova de excesso de patriotismo... tomei conta de uma Igreja como Vigário, onde estive um ano exato. Durante esse tempo, nutri esperança de criar um estabelecimento”.
    “Antes da minha viagem para Montevidéu, já eu tinha feito outra no interior das províncias de São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Já então meu tirocínio era criar um estabelecimento pio, onde não só se pudessem salvar essas infelizes filhas dos verdadeiros patriotas do Brasil, dos perigos e do horror das misérias e desgraças em que uma guerra desastrosa as havia de lançar.
    Encontrava sempre uma tal desproporção na educação! Não via senão uma educação que, em vez de preparar condignamente as infelizes órfãs, tecia-lhes um futuro cheio de dor, dando-lhes uma educação inadequada a sua condição.”
    “Os tempos se passaram... O anjo da morte passava sobre todos os telhados, anunciando cada dia a orfandade em novas famílias desvalidas! O luto enegrecia as entradas dos templos e as lágrimas lavavam os pavimentos. As choupanas se fechavam e as desgraçadas viúvas, cobertas de andrajos, levando diante de si suas tenras filhinhas, apresentavam-se às portas dos taberneiros para solicitar-lhes uma fatia de pão! Meu Deus! Quantos infortúnios eu presenciei! Quantos insultos àquelas pobres viúvas!... Quantas atrocidades àquelas infelizes vítimas ... por orgulho ou capricho de um malvado! Quem sabe quantos outros horrores ocasionados pela fome e pela miséria! Não! Disse eu, não é possível conter os impulsos do meu coração! Não há para mim maior sacrifício. Não vou salvar toda essa porção frágil e desafortunada da humanidade; uma só infeliz que, com a graça do Senhor e proteção da Augusta Virgem do Amparo, nossa Mãe e Protetora, eu possa salvar do ameaçador naufrágio, já me será uma inexcedível consolação”.[1]

Fonte:    Padre Siqueira

Escritos, crônicas e outros testemunhos 

Ir. Rossana Espindola da Silva, CFA

Ir. Neli do Santo Deus, CFA  


[1] . Memorial de Viagens, Sala Histórica, PS-1 – A.01.16


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