quarta-feira, 2 de setembro de 2026



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6. Em 1869, continua suas viagens (Ipeg06)

“Hoje, dia 14 de Janeiro [acrescentamos de 1869], partimos para a fazenda de Monte Alegre, pertencente ao Sr. Antônio Leite Monteiro de Barros, moço esperançoso.

Está a quatro léguas de Monte Verde. Daí, seguimos por uma escura mata que sobe a serra das Flecheiras e desce por outra mata do Monte Alegre; jantamos na mesma fazenda, e daí, seguimos para a fazenda do Sr. João Batista Ferreira Pinto (cronista), de nome Boa Vista, cinco léguas do Monte Verde, com lavoura de café, passando pelo sítio de Antônio Guedes de Oliveira Lima, em seguida pela fazenda de São Pedro (de onde regressamos por caminhos horríveis), pertencentes à família Custódio Texeira Leite, passando pelo sítio Serrote; Sítio de Boa Esperança, pertencente a Plácido Monteiro de Barros.

Da fazenda São Pedro, seguimos para a de Cachoeira, do Coronel Manuel Felisberto[1]. De Monte Verde à Cachoeira dista sete léguas.

O Coronel Felisberto tem, entre os seus netos e bisnetos, cento e vinte; é um verdadeiro patriarca. Teve dezesseis filhos; todos se casaram e se tornaram pais de família. Daí, partiram os cento e vinte netos e bisnetos. Foi mineiro emigrante para este ponto na revolução de 42.

Chegamos a 17 de Janeiro na aldeia de Santo Antônio dos Brotos [hoje cidade de Miracema], criada pelo Coronel Felisberto no ano de 42. Dista de Santo Antônio de Pádua três léguas e de Laje, cinco léguas.

Moradores principais: Antônio Francisco Procópio Alvim da Silva, como subdelegado, pai de família. À distância de uma légua e meia, mais ou menos, a fazenda de Francisco Bernardino de Barros, morador em São José do Rio Preto, cujo administrador é Joaquim Bragança.

Josino Antônio de Barros, na Fazenda da Liberdade, à distância de légua e meia de Santo Antônio dos Brotos; deu grandes auxílios para a criação da Freguesia de Santo Antônio de Pádua, que se acha a três léguas dos Brotos.

Hoje, 17 de Janeiro, em companhia do Coronel Felisberto e filhos, fomos para a dita aldeia, onde fomos recebidos debaixo de música pelo Sr. Francisco – vulgo Chico – e aí tiramos grandes esmolas (perto de 390$000), depois de ter feito uma prática na estação da missa.

Outrossim, disse missa na fazenda da Ca

choeira antes de virmos para Santo Antônio dos Brotos.

18 de janeiro: de Monte Verde a Monte Alegre saí com o amigo Morais Guedes, para a fazenda do Paraíba, pertencente ao Sr. Plácido Antônio de

Barros, voltando novamente à fazenda da Cachoeira.”

Viajando sempre, percorreu o Padre Siqueira as zonas de Laje, Carangola, Natividade, São Paulo de Muriaé, Porto Novo, Cantagalo. Aí chegou no dia 14 de março, hospedou-se no Hotel Metrau, seguindo para Petrópolis dia 23 do mesmo mês, depois de passar em muitas e muitas fazendas...


[1] . O referido Coronel Felisberto foi fundador da Capela de Santo Antônio dos Brotos. Capelão padre Francisco Monteiro, italiano.

Fonte:    Padre Siqueira

Escritos, crônicas e outros testemunhos 

Ir. Rossana Espindola da Silva, CFA

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 


                           Itinerário de suas peregrinações                       

4. O Peregrino do Bem (Ipeg04)

“Sua Majestade me havia dito: Não desanime, continue. E eu continuei durante quatro meses na Corte e, nesse espaço de tempo, foi uma verdadeira luta e uma temeridade da minha parte: duas ou três vezes repelido com violência das mais importantes casas do Rio de Janeiro, onde então só falavam e moviam os corações a vaidade dos títulos e egoísmo da glória ou mesmo o prestígio. “Vanitas vanitatem et omnia vanitas!”[1]

“Ai de mim, Padre! – quando falava em caridade e nas desgraçadas filhas das precipitações e erros da época! Não, a caridade é incompatível com o espírito da época!

É uma utopia! Fui quase forçado a retirar-me da Corte. Concentrei-me por alguns dias. Entretanto, apesar de tudo, não deixava de ter alguns amigos sinceros, cujos corações me moviam e animavam sempre. Para mim, porém, tudo estava sombrio!

Resolvi deixar a Corte onde estava, direcionando meu trabalho pelo interior da Província. Este pensamento alegrou-me extraordinariamente.

Munido de carta que, espontaneamente, ofereceram-me esses amigos verdadeiros: o Exmo. Conselheiro João Augusto Moreira Guimarães, Manuel José Moreira Guimarães, Aluísio Montenegro, parti para a cidade de Campos dos Goytacazes, no vapor Juparanã, a 21 de Novembro de 1868, às 4 horas da tarde, desembarcando no dia seguinte, às 7 horas da noite.

A impressão que eu levava dos acontecimentos que se tinham dado comigo, fazia-me ouvir a cada momento as palavras seguintes: Pois deixastes a Corte, o depósito das riquezas e aonde deverá prestar seus serviços esse Estabelecimento, para vir ao interior?

Mau grado! Parecia que eu voltaria à noite, levando a mala às costas. Não aconteceu assim. Se no Rio de Janeiro a caridade parecia incompatível com o espírito da época, encontrei, no entanto, verdadeiros patriotas do Brasil, e eu sabia que acima de tudo, honra ou patriotismo, estava a caridade cristã, a comiseração para com as inocentes e pobres meninas, filhas dos bravos patrícios da época.

Chegando a Campos, dirigi-me à casa do Vigário colado daquela paróquia, Padre João Carlos, onde me hospedei. Fui auxiliado por este amigo João Carlos Viana.”

 

Fonte:    Padre Siqueira

Escritos, crônicas e outros testemunhos 

Ir. Rossana Espindola da Silva, CFA

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[1] . “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.’’ Ecl 1,1.


quinta-feira, 16 de julho de 2026

 




Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade

Dados Biográficos

O Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade nasceu em 16 de julho de 1837, na cidade de Jacareí, Província de São Paulo, atual Estado de São Paulo. Filho de uma tradicional família do Vale do Paraíba, cresceu em uma região marcada pela religiosidade e pelas transformações sociais e econômicas do Brasil Imperial.

Jacareí, cidade de origem do futuro sacerdote, teve suas raízes lançadas no século XVII, quando Antônio Afonso e seus filhos ali construíram uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Ao longo dos anos, a localidade recebeu diferentes denominações até ser oficialmente chamada de Jacareí, em 1849, nome que remete à presença abundante de jacarés nas margens do Rio Paraíba do Sul.

Desde a juventude, João Francisco demonstrou sensibilidade às coisas de Deus e grande zelo pelas necessidades do próximo. Movido por um profundo ideal cristão, ingressou no caminho da formação sacerdotal e foi ordenado presbítero em 8 de dezembro de 1864. Seu ministério distinguiu-se pela intensa vida de oração, pela dedicação pastoral e por uma caridade concreta voltada, sobretudo, aos mais pobres e abandonados.

Entre as diversas preocupações que marcaram sua ação apostólica, uma ocupou lugar central em seu coração: a educação e a formação humana e cristã das crianças e dos jovens, especialmente das meninas pobres que, naquela época, tinham poucas oportunidades de acesso à instrução e à promoção social. Convencido de que a educação era um instrumento privilegiado de transformação da sociedade e de dignificação da pessoa humana, Padre Siqueira sonhou e lutou pela criação de uma obra que pudesse acolher, formar e amparar aqueles que mais necessitavam.

Esse sonho tomou forma na Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo. Sua concretização, porém, exigiu dele um longo caminho de sacrifícios, incompreensões e renúncias. Para tornar realidade a obra que Deus lhe inspirara, enfrentou dificuldades financeiras, resistências e inúmeras provações. Em suas correspondências e relatos históricos, percebe-se a intensidade de sua luta para garantir os recursos necessários e obter os apoios indispensáveis para a fundação e manutenção da instituição.

Durante meses, percorreu caminhos difíceis, realizou viagens, buscou auxílio junto a benfeitores e autoridades e consumiu suas energias em favor da obra. Seu desejo era oferecer às crianças e jovens uma educação pautada nos valores cristãos, capaz de promover integralmente a pessoa humana e prepará-la para a vida.

A Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo não foi apenas uma iniciativa educacional. Ela representava a concretização de um ideal evangélico que brotava de seu amor aos pobres e de sua confiança na Providência Divina. Padre Siqueira compreendia que educar era uma forma privilegiada de evangelizar, amparar e transformar vidas.

Para que esse projeto se tornasse realidade, encontrou em Irmã Francisca Pia de Jesus, a querida Mamãezinha, uma colaboradora providencial. Juntos, lançaram os alicerces de uma obra que ultrapassaria os limites de seu tempo e daria origem à Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo. Dessa experiência nasceu o Carisma do Amparo, expressão viva do cuidado de Deus para com os mais necessitados.

Os últimos anos de sua vida foram marcados pelo desgaste físico provocado pelo intenso trabalho apostólico, pelas preocupações constantes com a consolidação da obra e pelas enfermidades que progressivamente fragilizaram sua saúde. Contudo, mesmo diante do sofrimento, jamais abandonou o projeto que acreditava ter recebido de Deus. Sua maior consolação foi contemplar os primeiros passos da Escola Doméstica e da obra do Amparo, que começava a produzir frutos de educação, evangelização e promoção humana.

Padre João Francisco de Siqueira Andrade faleceu em 10 de abril de 1881, aos 43 anos de idade. Sua morte precoce foi sentida profundamente por aqueles que o conheceram e acompanharam sua missão. Muitos reconheceram que ele havia consumido sua vida em favor da obra que tanto amava, entregando suas forças, seu tempo, sua saúde e seu coração para que a Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo se tornasse uma realidade.

Após sua morte, a obra continuou a crescer sob os cuidados da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo, expandindo sua missão educativa e evangelizadora para diversas regiões do Brasil e além de suas fronteiras. O sonho que ele semeou permanece vivo, sustentado pelos mesmos valores que inspiraram sua caminhada: a fé, a confiança na Providência, o amor aos pobres e o compromisso com a educação.

Reconhecido como sacerdote de profunda espiritualidade, educador e incansável servidor dos mais necessitados. Sua vida continua a inspirar homens e mulheres a fazerem de sua existência uma resposta generosa ao chamado de Deus, sendo presença de amparo, esperança e caridade no mundo.

Em 10 de abril de 2026, na Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, foi oficialmente aberta a fase diocesana da Causa de Beatificação e Canonização do Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade, reconhecimento do testemunho de santidade daquele que fez de sua vida uma total entrega a Deus e à missão de amparar os pequenos e os pobres.


sábado, 20 de junho de 2026

 

                           Itinerário de suas peregrinações                       

2. Em Montevidéo, no Paraguai, tristes realidades (Ipeg02)

    “Depois de minha volta ao Brasil, vindo de Montevidéu, em 8 de Março, e chegando em 19 do mesmo, no famoso vapor São Francisco, que depois queimou-se, fato que determinou providências em que o governo deu prova de excesso de patriotismo... tomei conta de uma Igreja como Vigário, onde estive um ano exato. Durante esse tempo, nutri esperança de criar um estabelecimento”.
    “Antes da minha viagem para Montevidéu, já eu tinha feito outra no interior das províncias de São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Já então meu tirocínio era criar um estabelecimento pio, onde não só se pudessem salvar essas infelizes filhas dos verdadeiros patriotas do Brasil, dos perigos e do horror das misérias e desgraças em que uma guerra desastrosa as havia de lançar.
    Encontrava sempre uma tal desproporção na educação! Não via senão uma educação que, em vez de preparar condignamente as infelizes órfãs, tecia-lhes um futuro cheio de dor, dando-lhes uma educação inadequada a sua condição.”
    “Os tempos se passaram... O anjo da morte passava sobre todos os telhados, anunciando cada dia a orfandade em novas famílias desvalidas! O luto enegrecia as entradas dos templos e as lágrimas lavavam os pavimentos. As choupanas se fechavam e as desgraçadas viúvas, cobertas de andrajos, levando diante de si suas tenras filhinhas, apresentavam-se às portas dos taberneiros para solicitar-lhes uma fatia de pão! Meu Deus! Quantos infortúnios eu presenciei! Quantos insultos àquelas pobres viúvas!... Quantas atrocidades àquelas infelizes vítimas ... por orgulho ou capricho de um malvado! Quem sabe quantos outros horrores ocasionados pela fome e pela miséria! Não! Disse eu, não é possível conter os impulsos do meu coração! Não há para mim maior sacrifício. Não vou salvar toda essa porção frágil e desafortunada da humanidade; uma só infeliz que, com a graça do Senhor e proteção da Augusta Virgem do Amparo, nossa Mãe e Protetora, eu possa salvar do ameaçador naufrágio, já me será uma inexcedível consolação”.[1]

Fonte:    Padre Siqueira

Escritos, crônicas e outros testemunhos 

Ir. Rossana Espindola da Silva, CFA

Ir. Neli do Santo Deus, CFA  


[1] . Memorial de Viagens, Sala Histórica, PS-1 – A.01.16


sábado, 16 de maio de 2026

 


                                                                            Imagem criada com a IA

                                        Itinerário de suas peregrinações                                    

       1.Viagem a Campos dos Goytacazes (Ipeg01)

“Saí da Corte para Campos no dia 28 de Outubro, aonde cheguei no dia 29, às 7 horas da noite. De Campos subi o Rio Muriaé pela margem esquerda e desci pela direita. Daí segui para São Gonçalo, São Sebastião, São João da Barra, e regressei pela margem direita do Rio Paraíba. De Campos, desci pela margem esquerda do Rio Paraíba a São Fidélis, Monte Verde, Santo Antônio de Pádua, Rio Pomba, Leopoldina, Cantagalo, São José, Porto Novo do Cunha, e daí outra vez pela margem direita do mesmo rio até Campos”.

“A cidade de Campos, situada à margem direita do rio Paraíba, está a 24 milhas acima de sua foz ou embocadura no mar. Rio majestoso e volumoso. A cidade é de um aspecto agradável. A sua estrada tem alguma semelhança com a de Santa Catarina. Desembarquei aí pelas sete horas da noite. No dia 29, acompanhado por um preto que conduzia minha pequena bagagem, dirigi-me para a casa do Vigário, Padre João Carlos Monteiro, que me recebeu com inexprimível contentamento. Franqueou-me logo a sua casa e toda a sua influência em favor do meu negócio, o que eu não podia deixar de aceitar”.[1]

“Domingo, 1º de Novembro, dia de Todos os Santos, segui para a fazenda Baronesa de Muriaé, situada à margem esquerda do Muriaé, para de lá, seguir à margem esquerda do Rio Paraíba, acima da embocadura do Muriaé, onde ambos os rios formam uma bela e majestosa bacia”.


[1] . – A cidade de Campos tornou-se um dos principais pontos de sua atividade.

Fonte:    Padre Siqueira

Escritos, crônicas e outros testemunhos 

Ir. Rossana Espindola da Silva, CFA

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terça-feira, 28 de abril de 2026

 

                           Itinerário de suas peregrinações                        

O Peregrino do Bem (Ipeg04)

“Sua Majestade me havia dito: Não desanime, continue. E eu continuei durante quatro meses na Corte e, nesse espaço de tempo, foi uma verdadeira luta e uma temeridade da minha parte: duas ou três vezes repelido com violência das mais importantes casas do Rio de Janeiro, onde então só falavam e moviam os corações a vaidade dos títulos e egoísmo da glória ou mesmo o prestígio. “Vanitas vanitatem et omnia vanitas!”[1]

“Ai de mim, Padre! – quando falava em caridade e nas desgraçadas filhas das precipitações e erros da época! Não, a caridade é incompatível com o espírito da época!

É uma utopia! Fui quase forçado a retirar-me da Corte. Concentrei-me por alguns dias. Entretanto, apesar de tudo, não deixava de ter alguns amigos sinceros, cujos corações me moviam e animavam sempre. Para mim, porém, tudo estava sombrio!

Resolvi deixar a Corte onde estava, direcionando meu trabalho pelo interior da Província. Este pensamento alegrou-me extraordinariamente.

Munido de carta que, espontaneamente, ofereceram-me esses amigos verdadeiros: o Exmo. Conselheiro João Augusto Moreira Guimarães, Manuel José Moreira Guimarães, Aluísio Montenegro, parti para a cidade de Campos dos Goytacazes, no vapor Juparanã, a 21 de Novembro de 1868, às 4 horas da tarde, desembarcando no dia seguinte, às 7 horas da noite.

A impressão que eu levava dos acontecimentos que se tinham dado comigo, fazia-me ouvir a cada momento as palavras seguintes: Pois deixastes a Corte, o depósito das riquezas e aonde deverá prestar seus serviços esse Estabelecimento, para vir ao interior?

Mau grado! Parecia que eu voltaria à noite, levando a mala às costas. Não aconteceu assim. Se no Rio de Janeiro a caridade parecia incompatível com o espírito da época, encontrei, no entanto, verdadeiros patriotas do Brasil, e eu sabia que acima de tudo, honra ou patriotismo, estava a caridade cristã, a comiseração para com as inocentes e pobres meninas, filhas dos bravos patrícios da época.

Chegando a Campos, dirigi-me à casa do Vigário colado daquela paróquia, Padre João Carlos, onde me hospedei. Fui auxiliado por este amigo João Carlos Viana.”


[1] . “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.’’ Ecl 1,1.

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Fonte:    Padre Siqueira

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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Live com Frei Vitório Mazzuco OFM

 



Estimadas irmãs,  queridos irmãos! 

Após celebrarmos a Abertura oficial do Processo de Beatificação e Canonização do Servo de Deus Padre Siqueira, somos convidados/as a refletirmos sobre a ideia de paz por ele construída. Mais do que nunca, a humanidade está ávida da paz oferecida pelo Cristo Ressuscitado. A inspiração do Padre Siqueira, no final do sec XIX, de uma humanidade pacificada ilumina os tempos atuais. 

Nos ajudará nessa reflexão o Frei Vitório Mazzuco, OFM, que bem conhece as fontes siqueiranas. 

A transmissão será pelo YouTube da Congregação.


 

Com grande alegria e profunda gratidão a Deus, celebramos hoje, 10 de abril de 2026, na Diocese de Petrópolis, a abertura do Processo de Canonização do Servo de Deus Padre Siqueira.
Este momento histórico é uma verdadeira graça para a Igreja, para a Diocese e nossa Congregação e, de modo especial, para todos aqueles que bebem da espiritualidade do Amparo. Reconhece-se, assim, uma vida marcada pela oração, pelo amor aos mais necessitados e pela fidelidade ao Evangelho.
Que este passo fortaleça nossa fé, reavive nossa esperança e nos inspire a seguir os caminhos de santidade, à luz do testemunho fecundo do Servo de Deus Padre Siqueira.
Este é um momento de renovação da esperança para todos os que são beneficiados por seu legado.

domingo, 5 de abril de 2026

 


1.5. Uma obra em benefício do futuro[1]

Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo, em Petrópolis

Sr. Redator – Com o título acima, saiu publicado no jornal de 24 do corrente, uma prestação de contas que faz o instituidor dessa mesma escola, o Rev.mo padre João Francisco de Siqueira Andrade.

Esse digno sacerdote deve estar extremamente lisonjeado com o benévolo acolhimento que tem encontrado em todas as pessoas, as quais tem recorrido para fundar aquela casa.

De fato, em um espaço de tempo relativamente curto, já tem ele reunido uma boa quantia com a qual tem dado grande impulso a sua obra.

Todos que tiverem visitado Petrópolis nesses últimos tempos, terão sem dúvida, notado o adiantamento daquele edifício e esperamos que, graças à energia e força de vontade do padre Siqueira, aquela obra, cujas consequências úteis são avaliadas por todos, deverá em breve, achar-se pronta para receber certo número de meninas pobres. É, principalmente, olhando para o futuro de nosso país, que podemos avaliar a grande importância do serviço que o padre Siqueira vai prestar ao Brasil.

Desse modo, pensam todos aqueles que, com tanta espontaneidade, têm coadjuvado o padre Siqueira na realização desse grande pensamento. Estamos certos de que, esse sacerdote trabalhador e infatigável, ainda continuará a ser ajudado pelos verdadeiros amigos do Brasil.

Publicando este artigo anexo, muito obrigará, Sr. Redator, ao seu constante leitor.

Ignácio Xavier Campos de Mesquita – 28 de setembro de 1870



[1] . BN, jornal Diário do Rio de Janeiro, Ed. 273, p.3.


Livro: Padre Siqueira - Escritos, crônicas e outros testemunhos


domingo, 7 de dezembro de 2025


                                           O Sacerdote

               Em agosto de 1857, aos 20 anos, bem dotado intelectualmente, com o consentimento de seus pais, João Francisco entra para o Seminário Diocesano, em São Paulo. O Seminário fora inaugurado em 9 de novembro de 1856, tendo a primeira turma 15 alunos. Dirigiam o Seminário os religiosos Capuchinhos franceses da Província de Savóia. Entre os alunos que compõem a segunda turma, em 1857, consta o nome do jovem João Francisco de Siqueira Andrade, o futuro Padre Siqueira.

 No tempo de Seminário fez convergir todas as suas forças e energias ao estudo persistente, o que enriqueceu a sua inteligência e os dotes recebidos de Deus.

   O espírito de fé que o animava era fonte a revigorar as suas energias.

              Concluído o tempo de sua formação no Seminário Episcopal de São Paulo, de agosto de 1857 a maio de 1864, João Francisco de Siqueira Andrade é encaminhado ao Seminário Episcopal de Porto Alegre com Cartas Demissórias² expedidas pelo bispo de São Paulo, Dom Sebastião Pinto do Rego, em seu favor, no dia 25 de outubro de 1864.

Conteúdo da Carta: ³

 “Aos Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores Patriarcas, Arcebispos e Bispos de todo o Orbe Católico aos quais cheguem as presentes letras, saudação sempiterna no Senhor.

              Dom Sebastião Pinto do Rego, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo Paulopolitano da Majestade Imperial e, pelos Conselhos, Comendador da Ordem de Cristo.

             Às vossas Excelências Reverendíssimas pedimos e rogamos que ao celebrarem as Ordens em geral ou peculiares, vos digneis promover à Primeira Tonsura Clerical e aos graus das Quatro Ordens Menores, bem como às Ordens dos sagrados Subdiaconado, Diaconado e  Presbiterado o nosso em Cristo dileto João Francisco de Siqueira Andrade, da Paróquia da Mãe de Deus da Conceição, vulgo – Cidade de Jacarehy – natural desta Diocese, filho legítimo de Miguel Nunes de Siqueira e de sua esposa Claudina Maria de Andrade, tendo sido julgado capaz quanto à sua Origem, Vida e Costumes e Patrimônio, depois que tiver sido examinado e aprovado em todas as Disciplinas Teológicas tratadas nos Vossos Seminários, e de ali ter apresentado  indubitáveis testemunhas de seu modo de viver e de vocação, feitos os exercícios de costume; ordenem também que lhe sejam dadas cartas referentes à sua promoção.

          Em testemunho do que foi dito, mandamos redigir esta carta assinada pela própria mão e munida pelo nosso selo.

          Dada nesta Cidade Imperial, no dia 25 do mês de outubro do ano de 1864. E eu Cônego Antônio Augusto de Araújo Muniz, Secretário da Cúria Episcopal, a redigi e a assinei.

                                  + Sebastião, Bispo de São Paulo.

-Lugar do selo -      Molina

Regª f/10 do livro 37

São Paulo, 25 de outubro de 1864 Molina.”

        João Francisco dirige-se então, para o Seminário Episcopal de Porto Alegre, na Província fronteiriça de São Pedro do Rio Grande do Sul, onde era Bispo D. Sebastião Dias Laranjeiras. Foi prontamente acolhido por esse Bispo e conforme documentos existentes em nossos arquivos, o jovem galgou os degraus da hierarquia segundo o costume do tempo:

 - Tonsura e ordens menores             26 de novembro de 1864

- Subdiaconato                                   27 de novembro de 1864

- Diaconato                                         04 de dezembro de 1864 

- Sacerdócio                                       08 de dezembro de 1864

              Estava em festa a Igreja naquele 08 de dezembro de 1864.

             O mundo celebrava o primeiro decênio da Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus. Sobre aquele filho predileto Maria Santíssima velava desde o berço, e quis ainda lhe dar essa prova de amor, escolhendo o seu belo e radioso dia para dar-lhe a maior graça que aqui na terra alguém pode receber.

 Fonte: Livro:

PADRE SIQUEIRA -  O Profeta da Caridade

Autora: Irmã Neli do Santo Deus, cfa

sábado, 30 de agosto de 2025

Setembro - Mês da Palavra

 



               Mês da Bíblia 2025 – “A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

O Mês da Bíblia 2025 nos convida a mergulhar na Carta de São Paulo aos Romanos, coração teológico da fé cristã, que proclama com firmeza: “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Este lema, em sintonia com o Ano Santo da Encarnação de Jesus Cristo e o tema “Peregrinos de esperança”, nos recorda que a esperança cristã não é um simples otimismo, mas uma força interior sustentada pelo amor fiel de Deus.

São Paulo escreve aos cristãos de Roma para animá-los em meio aos desafios e perseguições, lembrando-lhes que a vida nova em Cristo nasce da graça e não das obras da Lei: “Justificados pela fé, estamos em paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5,1). Essa paz e essa esperança não dependem das circunstâncias, mas da certeza de que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

O Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade viveu profundamente essa esperança. Nascido em Jacareí/SP em 1837, foi educado desde a infância na fé e no amor à Palavra. Ordenado sacerdote no dia 8 de dezembro de 1864, festa da Imaculada Conceição, encontrou na Eucaristia e na Sagrada Escritura o sustento para sua missão. Diante da miséria, da orfandade e da dor que presenciou, especialmente entre as viúvas e órfãs, não se deixou vencer pelo abatimento. Como São Paulo, que dizia “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16), Padre Siqueira sentiu-se impelido a agir:

“Não é possível conter os impulsos do meu coração! [...] Se eu puder salvar, com a graça do Senhor e a proteção da Augusta Virgem do Amparo, uma só infeliz do ameaçador naufrágio, já me será uma inexcedível consolação.”

Essas palavras revelam um coração que experimentou o que Paulo escreve: “Somos atribulados de toda maneira, mas não esmagados; postos em apuros, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados” (2Cor 4,8-9).

O Carisma Franciscano do Amparo, herdeiro espiritual de Padre Siqueira, nos chama a encarnar a esperança em gestos concretos de cuidado da vida. A Palavra de Deus, quando acolhida, transforma a nossa forma de olhar o mundo:

  • Ensina-nos a “alegrar-nos na esperança, ser pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rm 12,12);
  • Convida-nos a “carregar os fardos uns dos outros” (Gl 6,2), como expressão de verdadeira fraternidade;
  • Recorda-nos que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17).

Neste Jubileu da Esperança, somos chamados a ser peregrinos que caminham com a Bíblia na mão e o coração ardente, como os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). É a Palavra que reaquece nossa esperança e abre nossos olhos para reconhecer o Cristo vivo no partir do pão e no irmão que sofre.

Olhando para a vida e missão de Padre Siqueira, percebemos que a esperança cristã não se limita a esperar o futuro, mas age no presente, movida pela certeza de que “nem a morte, nem a vida, nem o presente, nem o futuro, nem qualquer criatura poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus” (Rm 8,38-39).

Que este Mês da Bíblia nos inspire a acolher a Palavra com o coração aberto, a viver como portadores de esperança e a traduzir o Evangelho em gestos de ternura, proximidade e compromisso com a vida. Assim como Padre Siqueira fez, possamos nós também, movidos pela graça, dizer:
“Fala, Senhor, teu servo escuta” (1Sm 3,9) — e se põe a caminho para servir.


sábado, 9 de agosto de 2025

 



Agosto -Mês Vocacional: A Vocação do Servo de Deus Padre Siqueira

"Peregrinas de esperança, cuidando da vida"

Um chamado que nasceu no coração da família

No mês de agosto, a Igreja no Brasil volta o olhar para as vocações. É tempo de recordar que cada chamado nasce do coração de Deus e se realiza no concreto da vida.

Entre tantos exemplos luminosos, encontramos o Servo de Deus Padre João Francisco de Siqueira Andrade, fundador da obra que deu origem à Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo.

Nascido em 16 de julho de 1837, em Jacareí (SP), Padre Siqueira cresceu num lar profundamente cristão. Seus pais, Miguel e Claudina, ensinaram aos filhos a amar a Deus, respeitar a Igreja e viver a caridade. Foi nesse ambiente de fé que amadureceu a semente de sua vocação.


O sim que mudou vidas

Aos 20 anos, ingressou no Seminário Diocesano de São Paulo e, após anos de estudo e dedicação, foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1864, festa da Imaculada Conceição.

O seu sacerdócio não se limitou aos altares. Movido pelo amor e pela compaixão, deixou a paróquia para servir como capelão na Guerra do Paraguai. Entre a dor e a morte, amadureceu seu desejo de dedicar-se aos mais pobres e esquecidos.


O olhar para os mais frágeis

Ao regressar, viajou pelo Brasil e também ao Uruguai, conhecendo obras sociais, asilos e escolas. Viu de perto a dura realidade de meninas órfãs, filhas de escravos e crianças sem acesso à educação digna.

Diante dessa realidade, fez um propósito firme: criar uma obra para oferecer amparo, educação e dignidade àqueles que o mundo deixava à margem.

“Não vou salvar toda essa porção frágil e desafortunada da humanidade;
uma só infeliz que, com a graça do Senhor e a proteção da Augusta Virgem do Amparo,
eu possa salvar, já me será uma inexcedível consolação.”  (Servo de Deus Padre Siqueira)


O Carisma do Amparo

Assim nasceu o  Carisma do Amparo — cuidar da vida, acolher os mais frágeis e oferecer esperança onde a dor parecia ter a última palavra.
Este carisma, vivido e transmitido pelo Padre Siqueira, continua vivo:

  • Na missão das Irmãs Franciscanas do Amparo;
  • No testemunho de tantos leigos que partilham dessa espiritualidade;
  • No legado de esperança que inspira a Igreja até hoje.

Jubileu da Esperança: um convite

No Jubileu da Esperança, ao contemplar sua vida, somos convidados a renovar nossa própria resposta a Deus. A vocação do Servo de Padre Siqueira nos mostra que seguir a Cristo é estar atento às necessidades do nosso tempo, com coragem para enfrentar dificuldades e ternura para cuidar de quem sofre.

Que neste mês vocacional, olhando para o Servo de Deus Padre Siqueira, possamos nos perguntar:

  • Onde Deus me chama a cuidar da vida?
  • Quem são os “desamparados” de hoje que esperam meu gesto concreto de amor?
  • Como posso viver o Carisma do Amparo na minha realidade?

Oração

Servo de Deus Padre Siqueira,
que soubeste ver o rosto de Cristo nos mais pobres e desamparados,
intercede por nós, para que tenhamos a coragem e a ternura
de responder ao chamado de Deus com generosidade.
Que a Virgem do Amparo nos conduza,
para sermos, como tu, peregrinos de esperança e cuidadores da vida. Amém.

 


quarta-feira, 16 de julho de 2025

Aniversário do Servo de Deus Padre Siqueira

 


                        16 de julho de 2025  -  16 de julho de 1837

Hoje, celebramos com gratidão o nascimento do Servo de Deus Padre Siqueira, instrumento do amor de Deus.

Sua vida foi marcada por uma fé profunda, encarnada no cuidado com a educação dos jovens, crianças e em especial os pobres e esquecidos da sociedade. No silêncio da caridade e na força da esperança, Padre Siqueira plantou as sementes do Carisma do Amparo, que nos impulsiona a ser presença fraterna, consoladora e terna onde a vida clama.

Que seu testemunho continue a iluminar nosso caminho e renovar em nós o desejo de Amparar com amor, fé e esperança!

terça-feira, 8 de julho de 2025


Serviço de Animação Vocacional

Mês de julho de 2025.

 

Coração Consagrado ao Amparo da Vida

Um convite ao discernimento vocacional à luz do Servo de Deus Padre Siqueira

 

Neste mês de julho, este texto chega até você e nos convida a refletir sobre a força de uma vocação nascida da escuta de Deus e moldada pela coragem da fé.  A história do Servo de Deus Padre Siqueira, fundador do Carisma do Amparo, continua a iluminar o caminho daqueles que se perguntam: “Senhor, que queres de mim?”

Com um coração totalmente entregue, Padre Siqueira ofereceu sua vida à Igreja, à infância desvalida e à pátria. Seu “sim” foi mais que um gesto de generosidade: foi resposta profunda ao chamado de Deus, marcada por coragem, sacrifício e confiança. Ele mesmo declarou com convicção: “Fiz o voto mais firme da minha existência em favor da infância desvalida e me consagrei ao bem da Igreja e da Pátria.”

Essa entrega radical foi sustentada por uma fé que não se abateu diante das dificuldades. Mesmo no sofrimento, ele reconhecia a mão de Deus conduzindo sua missão: “Oh! Bem sei que o meu espinhoso caminho está há muito traçado pela mão da Providência, e que não é outro senão o da humildade e da resignação.”

Padre Siqueira viveu o Evangelho de forma concreta, em especial no serviço aos mais pobres. Sua vida foi um testemunho de caridade encarnada, de fé traduzida em cuidado, de esperança que se tornava presença viva. E ele dizia: “Mesmo uma só criança que, com a graça do Senhor e a proteção da Virgem do Amparo, nossa Mãe e Protetora, eu possa salvar, já me será uma imensa consolação.”

Esse é o espírito que continua a inspirar a vocação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo: uma vida consagrada ao serviço, à escuta dos clamores da vida, à ternura que ampara.

E você? Já se perguntou se Deus também te chama?

  • Você sente, em seu coração, o desejo de viver uma vida de entrega total ao Reino de Deus?
  • O sofrimento dos pequenos, dos pobres e dos esquecidos mexe com você a ponto de querer fazer algo por eles?
  • Você já sentiu que a oração, o silêncio e o serviço são caminhos que te preenchem e dão sentido à sua vida?

Talvez esteja nascendo em você um chamado… uma semente de vocação. E como toda semente, ela precisa ser acolhida, cuidada e discernida.

Padre Siqueira nos ensina: “Há muito tempo, não vivo mais para mim, e todos os sacrifícios por que ainda possa passar estão de antemão oferecidos a Deus no altar da caridade.”

Hoje, o mundo precisa de jovens corajosas, dispostas a serem profecia de esperança, presença de Amparo, rosto de ternura onde a vida clama. Se algo em você vibrou com essas palavras, não ignore: pode ser Deus falando ao seu coração.

Então, não deixe o toque da inspiração de Deus passar por você, guarde no coração como vez Nossa Senhora do Amparo e não tenha mede de responder seu SIM. Cuide do tesouro, Jesus está sempre ao teu lado, encontre-o na oração e na meditação da Palavra.


Oração 

Senhor da vida,

Tu que chamaste Padre Siqueira a ser voz profética e coração que ampara, olha com ternura para os jovens que hoje sentem em seu interior o desejo de se doar.

Desperta em nós a coragem de escutar a Tua voz, e a liberdade de responder com amor generoso.

Mãe do Amparo, acompanha com teu olhar de ternura cada passo de quem se põe a discernir.
Faz-nos fortes na fé, simples no coração, e disponíveis para servir onde a vida grita por cuidado. Amém.

No próximo mês estaremos vivendo o mês especial das vocações.




 

quarta-feira, 2 de julho de 2025

 

                                       Visita histórica à Casa Mãe da Congregação do Amparo

Com grande alegria e esperança, registramos a visita do Exmo. Revmo. Dom César Teixeira, Bispo Diocesano de São José dos Campos/SP, do Revmo. Padre Eduardo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição, da cidade de Jacareí/SP, acompanhados pelo Diácono Marcos Vitor de Andrade e pelo Sr. Diogo Rodrigues Victor, presidente da Creche Cantinho da Providência.

A Congregação das Irmãs Franciscanas do Amparo acolheu com ternura e gratidão, em sua Casa Mãe, a Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo, em Petrópolis/RJ. Esta visita tão significativa, especialmente por virem da terra natal dos nossos Fundadores, o Servo de Deus Padre Siqueira e a Irmã Francisca Pia.

Trata-se de um momento histórico e profundamente simbólico no caminho do Processo de Canonização do Padre Siqueira. Mais do que um gesto de proximidade, essa visita expressa a comunhão eclesial, reacende a esperança e confirma a vitalidade do Carisma do Amparo, nascido no coração de nossos Fundadores e vivido hoje com fidelidade e ardor missionário.

A presença do Bispo Diocesano e de seus acompanhantes é para nós um verdadeiro dom de Deus. Ela nos encoraja a seguir com passos firmes e confiantes na trilha da santidade, iluminada pelo exemplo do nosso Fundador. A escuta fraterna, a partilha sincera e a alegria do encontro encheram nosso coração de gratidão e renovaram nossa missão.

Esse gesto de atenção e cuidado da Igreja de Jacareí fortalece os laços de comunhão entre a Congregação e a Igreja local, lançando sementes de esperança para o reconhecimento público da santidade de Padre Siqueira. É também um impulso que reacende nossos sonhos e compromissos com o serviço humilde, com a ternura cotidiana e com a simplicidade franciscana que moldaram sua vida.

Louvamos a Deus por este tempo de graça. Reafirmamos nosso compromisso de continuar difundindo a vida e o legado do Servo de Deus Padre Siqueira, na esperança de que a Igreja em breve o reconheça oficialmente como modelo de santidade.

Que sua memória viva, sua entrega generosa e a força do Carisma do Amparo continuem a inspirar novas vocações e a tocar os corações sedentos de Deus.

                                    Servo de Deus Padre Siqueira, rogai por nós!


segunda-feira, 23 de junho de 2025

Decreto da instituição da Comissão Diocesana das Causas dos Santos


 

Com alegria e gratidão a Deus, comunicamos ao povo de Deus e aos devotos do Servo de Deus Padre Siqueira um passo importante em sua Causa de Canonização: foi instituída oficialmente, por Decreto do Exmo. Revmo. Bispo Diocesano de Petrópolis/RJ, a Comissão Diocesana das Causas dos Santos.

Este organismo, em sintonia com as orientações da Igreja e do Dicastério para as Causas dos Santos, tem como missão investigar, promover e apoiar os processos de beatificação e canonização no âmbito da Diocese, do Servo de Deus Padre Siqueira.

A criação desta Comissão representa um marco significativo, pois permitirá que se avance de forma mais estruturada e criteriosa nos estudos sobre sua vida, virtudes e fama de santidade. É um chamado à esperança e à oração, para que um dia a Igreja reconheça oficialmente aquilo que tantos já percebem: Padre Siqueira foi um homem de Deus, que viveu com fé confiança o Evangelho.

Continuemos unidos em oração, confiantes de que o testemunho de Padre Siqueira seguirá iluminando e inspirando muitos corações.

Servo de Deus Padre Siqueira, intercedei por nós!


domingo, 1 de junho de 2025

 


Homilia de Dom Joel por ocasião da Missa em memória ao Servo de Deus Padre Siqueira (Capela da Casa Mãe / Petrópolis - RJ – 10/04/2025)

Minha Irmãs e meus irmãos, junto com todas as intenções que foram trazidas, que a Irmã que nos acolheu, recordou e destacou, no início, sem dúvida, o que nos reúne hoje aqui é uma grande ação de graças a Deus, pela vida do Padre Siqueira e tudo aquilo que ele semeou, tudo aquilo que ele deixou. Já se vão aí 144 anos de sua morte e a obra aqui, está com tudo aquilo que significa de um sonho que nascendo no coração de Deus é acolhido por um coração generoso, que toca outros e com isso leva tanta coisa bonita pra frente. A liturgia de hoje nos apresenta, Abraão que ouve o chamado de Deus, que responde ao chamado de Deus e estabelece com Deus uma aliança. E nessa aliança nós vamos entender o que acontece com toda pessoa de fé, o que aconteceu com Padre Siqueira e que somos nós convidados a deixar que aconteça conosco. No fundo se pode dizer que Padre Siqueira viveu na fé de Abraão, não aquela fé mal compreendida, atrapalhada, que no tempo de Jesus acabou se tornando cega e incapaz de reconhecer aquele que era a expressão maior do amor do Pai, na força do Espírito, que ali estava no meio deles. O evangelho mostra uma rejeição tão grande que chegam a tentar apedrejar Jesus. Nesse sentido, ser da linhagem de Abraão na fé, ser da fé de Abraão, é o que se espera de Padre Siqueira e de nós. E é muito interessante a verdade, na chamada fé de Abraão. E hoje de manhã rezando um pouco e revendo uma parte pequena da biografia de Padre Siqueira, o sonho de Deus é sempre maior do que aquilo que os nossos olhos podem contemplar. Quando nós lemos a primeira leitura, é impressionante para aquele homem no deserto, aquele homem sozinho com seu grupo, seu clã. sem dúvida, mas era ele. E a promessa é: “Eu vou te fazer pai de uma grande multidão. Eu vou te dar terra”. E uma palavra tocou no meu coração ao longo desse dia todo, hoje, e eu a partilho com vocês agora. Que desproporção entre aquilo que os olhos veem e aquilo que Deus sonha. Como é que se juntam as duas coisas? Quando corações generosos, tocados pela graça, deixam que essa graça nos toque mais ainda e vão em frente, do mesmo modo como Abraão. São Paulo vai dizer: Abraão acreditou, teve esperança contra toda a esperança mesmo (...) não acreditou quando todos ou pelo menos a maioria das cidades dizia, não vai dar certo, não é por aí. Quem conhece a história do Padre Siqueira sabe ver dele um homem que seguiu essa mesma fé que marcou profundamente Abraão, que é o tema da primeira leitura de hoje. Vocês conhecem melhor do que eu. A biografia desse homem que vem para Petrópolis para se tratar, ele vem para se cuidar. Ele vem, se eu posso usar a linguagem dos nossos dias, ele vem para cuidar dele. E quando ele chega aqui, o que é que ele fez? Ele pensou nele? Se eu compreendi a leitura que fiz; ele vê toda aquela situação, aquele regime de escravatura que ia se ruindo. Graças a Deus que ele percebe, apesar das suas limitações de saúde, ele percebe que há muito o que se fazer aqui! E ao perceber, eu posso dizer, é a voz de Deus falando naquele coração. Assim como a primeira leitura fala a Abraão, a assim também quando ele chega em Petrópolis para cuidar de si, pensar em si, foi a única coisa que Padre Siqueira não fez, foi pensar nele mesmo, foi não olhar para a sua dor, não olhar para sua limitação de doença. É impressionante como começa a expressar na caridade o amor infinito de Deus. E se ele dissesse: sim eu vejo os problemas, mas eu não posso, eu estou limitado, eu tenho que me cuidar primeiro, mas isso não existiu, porque ele percebeu no caminho de fé, ele percebeu o quanto era fundamental responder no amor, ao chamado amoroso de Deus. E se olharmos a palavra de Deus de hoje, Padre Siqueira está na esteira de Abraão e de tantos santos e santas. E é um daqueles homens que deve marcar profundamente a nossa vida hoje, num tempo em que nós somos tão auto referenciais, tão voltados para nós mesmos, para nossos sonhos, para nossas expectativas, para nossas dores, que são reais, eu não discuto isso, mas maior do que tudo isso é o amor apaixonante de Deus que nos empurra na direção dos irmãos e irmãs, em especial os necessitados. Vejam, 144 anos! Só pensar na história das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo, o quanto já foi feito ao longo desses anos. Não podemos ver aí uma analogia da grande descendência que Deus prometeu a Abraão? Não está em cada um, em cada uma que já passou por aqui, o que Padre Siqueira sonhou não está aqui cumprido no seu carisma, não está aqui a promessa feita a Abraão? Quando no final da primeira leitura, Abraão se curva diante de Deus, se coloca diante de Deus. Hoje de manhã eu imaginava o que deve ter acontecido no coração e na mente de Padre Siqueira o se curvar diante de Deus. É claro, que já naquele momento e muito mais depois, as irmãs que seguem o carisma do Padre Siqueira e todos nós em nossas vidas também, vamos dizer assim, aconteceu tanta incompreensão, que é o que vimos no evangelho de hoje, o que ocorre quando os judeus naquele tempo se voltam para Jesus e não reconhecem o amor de Deus presente de modo radical em Jesus, não reconhecem que ali está o Messias. É possível que quem conhece bem um processo de beatificação e canonização, quando no futuro dermos esses passos, nós vamos ver o quanto Padre Siqueira deve ter encontrado, quantas dificuldades. O quanto as irmãs, para cumprir o carisma, o quanto que elas também tiveram que lutar, quantas dificuldades e acima de tudo quantas incompreensões. Lendo a biografia de Padre Siqueira, uma coisa me chamou atenção. Depois me digam se eu entendi correto. Mesmo doente, mesmo limitado, esse homem monta no cavalo e vai pedir esmola, donativo, ajuda, porque ele sabe que a vida dele só tem sentido quando for resposta ao amor de Deus. E Deus acolha as nossas orações de ação de graças por Padre Siqueira e por tudo aquilo que ele plantou. Que a partir desta casa se aumentem as orações por sua beatificação, por sua canonização e que cada um de nós, no carisma que tem, respondendo a Deus, na vida onde o bom Deus nos quer, possa caminhar em santidade. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

(Transcrição feita a partir de recursos audiovisuais)



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