sábado, 7 de dezembro de 2024

160 anos de Ordenação Sacerdotal do Servo de Deus Padre Siqueira – (1864-2024)

 


Solenidade da Imaculada Conceição: 160 anos de Ordenação Sacerdotal do Servo de Deus Padre Siqueira – (1864-2024)

As redes dos pescadores simples do Vale do Paraíba, jogadas nas águas do rio trouxeram à tona, primeiro a cabeça, depois o corpo, da Imaculada Conceição. Estamos falando de um Vale de Fé. Um vale que sempre criou expressões para dizer que a Imaculada tem seu espaço, seu lugar e seu trono. Esse é o grande milagre de Aparecida: trazer de novo, para bem perto do povo, a sua maior riqueza: a sua Mãe!

Não existe expressão de fé sem Mãe! Deus é Pai e Mãe! Somente uma experiência como essa atravessa a história de um povo e cria no Vale do Paraíba um povo forte na fé e na consciência... Somente desta tradição e deste lugar poderia nascer um homem como o Padre João Francisco de Siqueira Andrade e uma mulher como Irmã Francisca Pia. Os dois cresceram e amadureceram na fé e no ambiente da Imaculada Conceição – pois ela é a padroeira da cidade de Jacareí/SP. Ser ordenado nesta solenidade não é mera coincidência e sim um vínculo afetivo e de fé para com a Mãe de Deus.

A Imaculada da Conceição, a Imaculada Maria do Povo, a Imaculada do Amparo, significa este jeito com que Deus nos toca e se aproxima. Em Maria nós buscamos o carinho de Deus, este ideal de intimidade e harmonia com o Deus da Vida. Em Maria nós voltamos à pureza do humano. Na Imaculada nós voltamos à manhã original da Criação. 

Lembremo-nos as palavras do Servo de Deus Padre Siqueira: “formar a mulher de modo a tornar-se uma digna mãe de família e implantando em seu coração os princípios religiosos de uma moral sã. Porquanto, a mulher é tudo no mundo. Direi que o homem será em todos os tempos o que a sua mãe quiser que ele seja, viverá e tornará obra os preceitos supostos por ela” (Cf, OSE, 46). Percebamos a lógica do amor  de Deus: no vale da fé, a imagem da Imaculada sai do lodo da injustiça, recebe o manto do valor das qualidades da fé de seu povo, que recupera e visualiza aquilo que crê, coloca novamente no altar e vai lá para ser igualzinho a sua Mãe. No altar de hoje, milhares de pessoas vão à Aparecida, para refazer este humano destruído, despedaçado, desesperançado, que precisa de cuidado e da existência concreta de um Deus que se faz Mãe.

Também deste Vale da Fé saíram Pe. Siqueira e Ir. Francisca Pia; subiram as montanhas de Petrópolis e jogaram as redes nas ruas da cidade imperial, às margens do Piabanha, para trazer novamente para a vida, as ingênuas, as desvalidas, aquelas meninas filhas dos grandes senhores, dos nobres, daqueles que tinham posição e status no Império, que faziam filhos e filhas com as escravas para depois abandoná-los à própria sorte. Quando vem a Lei do Ventre Livre, ignoraram esses filhos considerados bastardos, rejeitaram, abandonaram para que a nova Lei e a nova sociedade não percebessem que a nobre família tinha uma mancha de ter uma filha com escrava... E aquelas meninas abandonadas, deixadas ao léu, deixadas nas ruas de Petrópolis são recolhidas por quem? Por um filho do Vale da Fé, por um filho da Imaculada: O Padre Siqueira.  

Maria, a eternamente pura e imaculada, a simples, a transparente, a mulher verdadeira, esposa e mãe, reveladora da verdade sabe que amar intensamente é não dar espaço para o mal, para o erro, para a injustiça e para o pecado. Mãe, abençoe e proteja a obra iniciada por Padre Siqueira. No dia em que celebramos a beleza deste dogma de fé: mistério que se encarna e se diviniza revelando assim a fecundidade de Deus, peçamos a Mãe Imaculada que germine esta obra do Amparo; que faça brotar da fecundidade escondida da semente, o sonho do Pe. Siqueira: conduzir pelos caminhos do Amor!

Trecho da Homilia do Frei Vitório Mazzuco, OFM, proferido na Matriz da Imaculada Conceição – Jacareí/SP, em 8 de dezembro de 2004.

Adaptação: Ir. Maria Aparecida Santana de Souza, CFA

Fonte: Revista do Centenário da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo


segunda-feira, 15 de julho de 2024

 

                                         Celebramos 187 anos do nascimento do Padre Siqueira





Todo de Deus em favor dos Homens

             O Padre Siqueira é um homem agraciado por Deus.

            Bem cedo compreendeu o significado profundo das palavras de Jesus: “aquele que permanece em Mim e Eu nele, produz muito fruto” (Jo 15,5)

            Aplica-se, seriamente, ao cultivo da vida de oração e de íntima união com Deus, adquirindo aí uma extraordinária força moral.

            Seu equilíbrio, seu discernimento, sua sabedoria, seu critério em analisar as coisas, já aos 28 anos, assemelham-se com o senso e o amadurecimento de um homem vivido e experimentado.

            É que os dias passados junto ao Senhor plenificam as pessoas, levando-as a um aperfeiçoamento prematuro.

Daí o dizer do apóstolo: “um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2Pd 3,8).

            Conta-nos o livro do êxodo (34,29) que, ao descer do Monte Sinai, onde esteve em companhia do Senhor durante longo tempo, Moisés se apresenta ao povo transparecendo no rosto marcas do Deus Santíssimo, a ponto de o povo “temer” ficar em sua presença.

            Assim aconteceu com o Padre Siqueira, podendo aplicar-lhe o que foi dito de São Francisco, quando se encontrava com Deus. “Não era um homem em oração, mas a oração feita homem”.

            Mergulhando na oração e na busca do seu Senhor, experimenta o quanto é suave gozar da intimidade de Deus e quão preciosos são os momentos passados em sua companhia.

            E marcas indeléveis do divino transparecem em seu semblante e em sua personalidade.

            Aqui aprende o verdadeiro sentido da caridade de Deus e baseado no que diz São João na sua primeira carta (4,20) compreende que o amor a Deus só é verdadeiro quando concretizado em obras para os irmãos.

            Todo outro amor é mentiroso.

            É assim que procura traduzir em obras este seu amor que vai se tornando mais eficaz na medida de sua busca de Deus pela oração.

            Eficaz sim, porque percebe precisamente em que os homens mais necessitam de sua ajuda e realiza exatamente o que corresponde a tais necessidades.

            Para melhor avaliarmos qual o quilate do seu sentir com os homens, vejamos como ele se expressa ao dirigir-se ao público em 1877, quando escreve seu APELO AO PAÍS: “Ninguém mais pode ignorar que dentre as mais urgentes necessidades do Brasil ... é por certo a da substituição no lar doméstico do serviço livre bem como a do professorado particular... “

            E mais adiante: “eu já tinha compreendido finalmente que amparar meninas pobres, sobretudo órfãs expostas aos perigos da miséria e a mil desgraças, prepara-las para boas mães de família, seria a maior caridade diante de Deus e para o país a maior benefício”.

            Isto porque, diz ele, “analisando meu país com espírito observador e imparcial... não tenho encontrado ... na classe pobre ... senão indiferença completa pelo trabalho, nenhuma religião e vícios horríveis” (Apelo ao País).

            Muitas outras coisas poderiam ainda ser citadas aqui sobre o Padre Siqueira.

            Sobre o seu senso de realidade, sua visão esclarecida, sua solidariedade nos problemas dos homens seus irmãos, que, no entanto, não o fazemos porque algumas delas já estão contidas nos diversos outros capítulos. E outras, e em grande número, é forçoso omitir, para não se alongar demais o presente fascículo.

            Mas ... de onde tamanha sabedoria e clareza de ideias?!

            Da oração e doa convívio com Deus, certo.

Pois em diversas passagens dos seus escritos podemos ver sua preocupação em recolher-se a lugares apropriados, a fim de, após suas lutas e atividades, passar dias ou semanas em retiro e em oração, a fim de recomeçar seus trabalhos com mais vigor e recolhimento. São palavras suas, quase textuais:

            E, “pelos frutos se conhece a árvore” (Mt 12,33).

            Pelo bom senso, equilíbrio e dinamismo deste homem, é óbvio admitir ter sido ele um homem de intensa vida de oração.

            Foi portanto TODO DE DEUS, mas EM FAVOR DOS HOMENS.

            Quanto mais se entregou a Deus, melhor compreendeu os interesses dos homens para mais generosamente os servir.

            Desta maneira é que vemos a curta existência o Padre Siqueira – este homem TODO DE DEUS EM FAVOR DOS HOMENS – transformada em trajetória luminosa, pela atividade que desenvolveu idealizada à luz da oração que, à medida que penetra no coração do homem, nele alarga a capacidade de ver e de sentir com os demais homens seus irmãos.

 

Fonte:

Padre Siqueira - Vocação e Compromisso de Profeta

Irmã Jacinta Medeiros Gurgel-cfa

 

 


quarta-feira, 1 de maio de 2024

 

Sua Mãe e Mestra
A Virgem Maria

 

            Como nasceu no dia dedicado à Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho – o Padre Siqueira cultivou sempre a devoção eficacíssima à Virgem Santíssima.

            Maria ocupou em sua vida um lugar de destaque. Ela esteve sempre presente em todas as suas aspirações, análises e decisões.

            Desde que resolveu dedicar-se à educação da infância desvalida, tudo idealizou sob s inspiração das atitudes de Maria.

            Por isso escolheu para intitular sua instituição uma das mais belas imagens da Virgem Santa: a Senhora que protege, que refugia, que sustenta, que apoia, que segura, que ampara os pequenos e fracos.

            É esta a MÃE E MESTRA que deve servir de modelo às educadoras por ele projetadas.

            Nossa Senhora do Amparo, eis a denominação dada pelo Padre Siqueira à figura de Maria que deve guiar a sua Escola e a possível Congregação a se criar futuramente na mesma Escola.

            Nossa Senhora do Amparo é a Virgem puríssima que, consagrando-se ao seu Senhor, não teme dar um SIM ao mensageiro do Céu, mesmo sabendo ser logicamente impossível tornar-se Mãe, permanecendo Virgem Consagrada ao mesmo tempo.

            Padre Siqueira faz deste aspecto da vida de Maria a sua espiritualidade e a vive intensamente,

            Na escola de Maria, aprende ele que amar é esquecer-se de si, é dar sem exigir, é dedicar-se, é doar-se, é servir.

            Compreende que o amor não dorme, não descansa, não estabelece diferenças nem distâncias. Mas cria afinidades, aproxima, une e irmana.

            Descobre que este amor desinteressado e ablativo é a força misteriosa e poderosíssima capaz de operar milagres. Porque tem o poder de despertar nas pessoas a semente maravilhosa do bem que nelas dorme, conduzindo-as pelos caminhos da humildade, da verdade, da justiça, da fraternidade e da doação.

            Para obter êxito na educação, a Mestra, qual Mãe, necessita deste amor quase divino, para conseguir que o humano cresça sadiamente e produza frutos de equilíbrio, harmonia e realização nas pessoas.

            O Padre Siqueira nos aponta Maria Santíssima como o ideal da Mãe e Mestra no amar, no servir e no educar.

            Para nós, família do Padre Siqueira, Nossa Senhora do Amparo é a Virgem da Encarnação que, dado o SIM a Deus na Anunciação do Anjo, logo concebe o Verbo de Deus em seu ventre, tornando-se milagrosamente gestante do Filho de Deus.

            É a Virgem da Visitação que, na consciência da altíssima dignidade de Mãe de Deus, sente-se a mais humilde serva do Senhor e procura concretizar esta condição de serva, atendendo com solicitude às necessidades de quem dela precisa.

            É com estes sentimentos que, impelida pelo amor, dirige-se ela à casa de sua prima Isabel que na velhice concebera um filho – João Batista – e lá permanece por três meses, até nascer a criança, fazendo aí todo o serviço da casa, com grande amor e alegria.

            É assim que concebemos Nossa Senhora do Amparo, a inspiradora da obra e do Carisma do Padre Siqueira. Vemo-la como o nosso modelo na humildade, na simplicidade, na presença de amor e no espírito de serviço.

            Amparo não é um título apenas, mas um Carisma ou tarefa confiada por Deus ao Padre Siqueira e que ele deixou para a Congregação. É este amor de Nossa Senhora a que ele chama de Amparo.

            O amor que encerra todas as virtudes, trazidas em gestos de bondade, de serviço, de presença silenciosa mas atuante e dinâmica.

É o amor concreto, atual, oportuno e dentro da realidade, firme ‘ponto se apoio’ que tem poder de transformar a nossa impotente ação em poderosa ‘alavanca’ capaz de mover o mundo dos corações.

 

Fonte:

Padre Siqueira - Vocação e Compromisso de Profeta

Irmã Jacinta Medeiros Gurgel-cfa

 

 

 


sábado, 6 de abril de 2024

Padre Siqueira - Homem de Fé, firme como rocha

 



Homem de fé, firme como a rocha

 

         O Reino anunciado por Cristo é um Reino exigente.

“Ou Deu ou as riquezas”. “Não se pode servir a dois senhores; ou se dedicará a um em prejuízo do outro” ou vice-versa (cf. Lc 16,13)

         “Quem não é por mim, é contra mim.” (Mt 12.30).

         Cristo é categórico nas suas afirmativas. Não deixa engano!

         Em outra ocasião diz: “não é o que diz Senhor, Senhor... mas o que realiza a minha vontade, este é o que se salvará” (Mt 7,21).

         E, ainda, “todo aquele que ouve as minhas palavras e as observa será semelhante ao homem sábio, que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, e transbordaram os rios, e sopraram os ventos, e investiram contra aquela casa e ela não caiu porque estava fundada sobre a rocha” (Mt 7, 24-25).

         O Padre Siqueira, compreendendo estas coisas, jamais deixou-se levar por doutrinas alheias àquelas ditadas por Cristo.

         Mas, juntando todos estes elementos, senta-se como o “homem sábio” do Evangelho e na meditação vai considerando tais coisas e aplicando-se à sua vida, calculando e medindo suas possibilidades, decide-se a enfrentar qualquer dificuldade, a fim de realizar o que sente ser plano de Deus e seu respeito.

         A palavra do apóstolo São Tiago em sua carta calara profundamente em sua alma: “Se alguém disser que tem fé, mas não tem obras, que lhe aproveitará isso? Se um irmãos ou irmã não tiverem o que vestir e lhes faltar o necessário para a subsistência de cada dia e alguém dentre vós lhes disser: ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos, e não lhes der o necessário para a sua manutenção, que proveito haverá isso?

         Assim também a fé, se não tiver obras, será morta em seu isolamento” (Tg 2, 14-17).

         Assim é que ao presenciar alguns fatos resultantes da guerra do Paraguai ele escreve: “Meu Deus! Quantos infortúnios eu presenciei! Quantos insultos àquelas pobres viúvas!... Não! Disse eu, não é possível conter os impulsos do meu coração! Não há para mim maior sacrifício!”

         E decide-se a fundar uma Casa de Educação, a Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo, destinada a meninas pobres e órfãs onde pudessem encontrar, além do lar que a miséria lhes roubou, também toda uma educação para o trabalho e para a vida.

         É então que, em junho de 1867, deixando com um outro Padre a Paróquia de São José da Paraíba, Estado de São Paulo, onde trabalhou durante um ano, parte para Minas em companhia de uma família amiga. Permanece aí três meses nas águas medicinais, nas proximidades de Baependi, cuidando um pouco da saúde abalada.   (....)

         Sua fé já se mostrava uma das características mais acentuadas de sua personalidade.

         De Baependi, segue ele para o Rio de Janeiro, onde passa dois meses, “sem dar passo algum”, conforme ele mesmo escreve, “porque as dificuldades que surgiam eram tantas que parecia impossível agir em semelhante época”.

         Continua ele: “quis tomar um emprego com o fim de esperar mais algum tempo, porém consultei algumas pessoas e o meu próprio coração e tirei como resultado dar começo à obra sem atender mais a dificuldade alguma”.

         É daí que vai ao imperador D. Pedro II de quem recebe uma recusa.

         Ora, este consentimento do Imperador era essencial para a criação da sua Escola, sem o que nada podia ser feito.

         Padre Siqueira não sabe o que fazer, Recusar? Ir adiante?

         Mas, tomando como escudo a palavra de Cristo, “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5), para e recolhe-se no seu interior.

         A sua firmeza vem do Senhor!

         Reza, sofre, reflete!

         E decide a continuar.

         Lê-se em seu diário: “entretanto, escrevia meu programa, consultava, examinava, etc. Passados quase três meses apresentei-o a Sua Majestade (em 15-07-1868), deixando-o em suas mãos por espaço de dois meses, findos os quais, deferia Sua Majestade, respondendo-me que a ideia era boa e humanitária, porém dificílima, mas que eu desse começo”.

         E desta maneira o homem de Deus, o Profeta do Senhor, vai prosseguindo na sua firme ideia, construindo-se a si mesmo, alicerçando cada dia sua fé em Cristo, seu rochedo e sua segurança.

         Assemelhando-se a João Batista, o Padre Siqueira não é “caniço agitado pelo vento” (Mt 11,7).

         Mas em Cristo é aquele homem corajoso, destemido, seguro do que pretende, não se desviando da rota que leva ao porto desejado.

         Não vacila um momento sequer. Cedo aprendeu a assumir a vida como um dom de Deus, vendo tudo como um presente amoroso deste Deus que é bom Pai, chegando ao ponto de poder afirmar, meses antes da morte, no seu Testamento: “se algumas privações e contrariedades sofri, as recebi sempre como benefícios do céu.”

 

Fonte:

Padre Siqueira - Vocação e Compromisso de Profeta

Irmã Jacinta Medeiros Gurgel-cfa

 








quinta-feira, 4 de abril de 2024






Padre Siqueira, sacerdote que vivia a gratidão

    A gratidão envolve um sentimento de reciprocidade em direção de outra pessoa; frequentemente acompanhado por um desejo de agradecê-la por um favor que lhe fez. Num contexto religioso, gratidão também pode referir-se a um sentimento de expressão de gratidão a Deus, que é um tema central do cristianismo. Padre Siqueira era muito grato a todos, em tudo que ele fazia deixava claro isto, através de seus escritos percebemos o quanto seu coração exalava o perfume da gratidão. Peçamos sua intercessão para que nós também sejamos gratos. 

domingo, 4 de fevereiro de 2024

 




Sua vida: Um Testemunho

 

    Testemunhar é afirmar uma verdade diante dos outros.

    O Profeta tem uma vida de afirmação das verdades evangélicas,

   O Padre Siqueira qual um outro São Francisco, mostra, sem hesitação, em diversos acontecimentos de sua vida, que, de fato, se decidiu pelo Reino.

    É um profeta sem restrições!

   Ele é uma afirmação da pessoa de Cristo, do seu Evangelho, sem deixar dúvidas.

    Sua vida se constitui numa lição evangélica, num testemunho.

É o servo de Deus pronto e dócil ao chamado de seu Deus: “fala, Senhor, que Teu servo escuta” (1Sm 3,10).

Já nas suas convicções, quando lutando para criar sua instituição, deixa escapar uma frase que se torna notável e que bem caracteriza sua consciência de Profeta: “minha convicção de que era chegado o tempo, e de que a obra era de Deus, era tão forte, que a minha divisa única foi e é: ou a morte, ou o triunfo de um empreendimento que considero divino” (Apelo ao País).

E é assim que ele age e reage perante as adversidades.

Não conhece meias medidas.

Com o objetivo de conseguir dinheiro para realizar seu plano de construir e fundar a Casa de Educação idealizada, o Padre Siqueira fez muitas viagens. E muitas coisas lhe aconteceram, dando-lhe ocasião de testemunhar sua grande fé e humildade.

Lê-se na história de sua vida que, certa vez, chegando ao anoitecer em uma fazenda, exausto da caminhada a cavalo, por longas estradas e fatigado do sol ardente de todo um dia, o intrépido Padre Siqueira pede uma pousada para aquela noite.

As trevas já cobriam a terra, não lhe permitindo continuar sua jornada pela estrada fechada de floresta. Fora atendido por um escravo que, levando o seu pedido ao conhecimento do senhor da casa, volta e lhe diz em termos grosseiros e pesados a recusa do fazendeiro, transmitindo-lhe a sugestão de pernoitar junto aos animais da ceva. Perto havia uma pocilga. E, por oferecer lugar mais protegido, é aí que o Padre Siqueira passa aquela noite, tendo por cama a terra nua e por teto o céu estrelado.

Tranquilo, sereno, sente o coração a transbordar de alegria por haver sofrido tal injúria pelo seu Senhor e pelas pobres crianças órfãs.

Pela manhã, surpreende-se o fazendeiro, vendo o Sacerdote junto à cerca dos animais, rezando tranquilamente seu breviário. Chamando-o tenta desculpar-se. Ele porém, sem o mínimo sinal de ressentimento, procura persuadir a todos de que a noite passada ao relento era a sua partilha, restando-lhe agora receber a esmola para as suas órfãs.

De fato, o ideal o impulsionara por dentro.

Sua ideia quase fixa nas tristes cenas que presenciara de miséria e de luto neutralizara sua sensibilidade.

O seu eu não era o mais importante, porém, a missão a que se sentia chamado.

O que estava em questão eram a suas órfãs: “ou a morte ou o triunfo desta obra que considero divina”.

E continua sua vida de testemunho, como se as humilhações não se machucassem, procurando sempre fazer o que lhe parece ser a vontade de Deus.

Cansaço?!

Indisposição física?!

Pouco importa.

Enfrentando sol e chuva, fazendo madrugadas, vai ele testemunhando o Reino pelo qual vive e luta.

Tudo faz parte de sua missão profética.

Impressionante é o que presenciara numa destas viagens o sacristão que o acompanhava.

Era madrugada quando saíram.

E ao amanhecer o dia, em plena floresta, o Padre Siqueira, improvisando um altar, celebra a Santa Missa. Oferece o Santo Sacrifício pela redenção da humanidade pecadora.

Consagra e eleva as sagradas espécies, supondo ter como único participante o seu companheiro de viagem. No entanto, alguns marginais escondidos esperavam o momento oportuno para o assaltarem.

_ “Este Padre é o pedido de dinheiro”, pensavam eles.

Mas ... coisa estranha!

Por diversas vezes tentaram lançar-se para agarrá-lo, mas algo os detinha.

Finalmente, ao terminar a terminar a Missa, o Sacerdote volta-se e diz a aclamação “ide em paz ... que o Senhor vos acompanhe”.

A expressão do Padre Siqueira, sua piedade, seu fervor e sua convicção ao pronunciar estas palavras foram tais que comunicaram aos assaltantes a paz e a conversão. Prostrados por terra, comovidos, confessam seu pecado ao santo Sacerdote que os absolve e os confirma na fé cristã e na paz experimentada.

É o homem de Deus dispensando graças de salvação ao pecador arrependido!

É o profeta do Altíssimo, testemunha que é por sua vida.

Ele anuncia a fé e o amor através da celebração dos Santos Mistérios.

O seu modo de rezar, de celebrar, seu recolhimento, sua fé e respeito diante do sagrado, são bem um testemunho.

Levaram estes homens a crer firmemente na presença santíssima do Pai das graças e das misericórdias.

 

Fonte:

Padre Siqueira - Vocação e Compromisso de Profeta

Irmã Jacinta Medeiros Gurgel-cfa


segunda-feira, 10 de abril de 2023

Celebramos 142 anos de falecimento do Padre João Francisco de Siqueira Andrade


 Celebramos 142 anos de falecimento do Padre João Francisco de Siqueira Andrade

Fundador da Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo e da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo

    Padre Siqueira encarou este momento misterioso e decisivo da vida, em que só os empreendimentos realizados em Deus passam a ter dimensão eterna.

Ele mesmo havia escrito: “Em quatorze anos de sacerdócio, não tenho vivido senão para o bem da humanidade, e são estes os únicos títulos que apresento para recomendar-me” (Relatório de 1868 a 1877)

De fato, são estes os seus únicos, porém os mais nobres títulos que um homem pode apresentar no fim de sua vida. São títulos que engrandecem e eternizam uma existência.

O Padre Siqueira inicia o seu Testamento em nome da Santíssima Trindade. É diante de Deus que ele dispõe tudo o que se refere à Escola Doméstica por ele fundada.

Declara ainda: “se algumas privações e contrariedades sofri, as recebi sempre como benefício do céu”.

E continua ele: “concluindo este meu Testamento declaro que, como humilde filho da Igreja Católica, Apostólica, Romana, acreditei sempre em tudo quanto ela crê e ensina, tomei logo por minha divisa única a cruz de Nossa Senhora Jesus Cristo, e com ela espero morrer abraçado. ”

Desta forma, prepara-se o Padre Siqueira para o seu grande momento.

Abraçado à Cruz de Cristo, entrega ele sua bela alma a Deus a 10 de abril de 1881. Dez anos apenas de Fundação da Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo!

Como nos assegura a consoladora promessa de Jesus Cristo “quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11,25), a morte do Padre Siqueira torna definitivo o que até então era provisório: sua vida e sua obra.

 

Fonte:

Padre Siqueira - Vocação e Compromisso de Profeta

Irmã Jacinta Medeiros Gurgel-cfa

 

 


160 anos de Ordenação Sacerdotal do Servo de Deus Padre Siqueira – (1864-2024)

  Solenidade da Imaculada Conceição: 160 anos de Ordenação Sacerdotal do Servo de Deus Padre Siqueira – (1864-2024) As redes dos pescadores ...